Ilustração com gráficos financeiros, referência à Selic e calendário de 2026, representando expectativas para bancos e economia brasileira
Projeções para 2026 ganham destaque com Selic, cenário macroeconômico e desempenho do setor bancário no radar dos investidores

O setor bancário brasileiro inicia 2026 sob expectativas moderadamente positivas, após um desempenho expressivo em 2025, mas com investidores adotando postura mais seletiva diante de fatores macroeconômicos e políticos que podem influenciar o desempenho das ações ao longo do ano.

Projeções de crescimento do crédito, comportamento da taxa Selic, qualidade dos ativos e o ambiente eleitoral aparecem como os principais vetores de análise para instituições como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, segundo avaliações de instituições financeiras e analistas do mercado.

Apesar do cenário ainda restritivo de juros, a expectativa é de expansão do crédito próxima de dois dígitos em 2026, sustentada por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e novas linhas de financiamento, como o consignado privado. Ao mesmo tempo, os riscos de inadimplência seguem considerados controlados, embora exijam acompanhamento constante.

Setor desacelera após forte valorização em 2025

Na Bolsa, o início de 2026 tem sido marcado por um movimento de acomodação dos preços das ações bancárias, após ganhos expressivos no ano anterior. Enquanto Itaú e Bradesco acumularam altas superiores a 60% em 2025, os papéis do Banco do Brasil encerraram o período com desempenho negativo.

Esse ajuste reforçou a importância dos níveis técnicos de curto prazo e aumentou a cautela dos investidores, especialmente em um ano que deve ser influenciado por discussões fiscais, decisões regulatórias e incertezas políticas.

Banco do Brasil segue em consolidação

As ações do Banco do Brasil iniciaram 2026 sob pressão, ampliando o movimento de fraqueza observado no fim do ano anterior. O papel permanece em trajetória lateral, negociando dentro de uma faixa estreita e abaixo de médias móveis relevantes, o que indica ausência de força compradora consistente no curto prazo.

Para uma reversão mais clara do movimento, o mercado observa a necessidade de rompimento de resistências técnicas próximas, enquanto eventuais perdas de suportes podem intensificar o fluxo vendedor.

Bradesco enfrenta resistência técnica

Após uma forte valorização em 2025, as ações do Bradesco entraram em fase de consolidação. O papel tem encontrado dificuldade para superar uma zona técnica considerada decisiva, o que limita avanços mais consistentes no curto prazo.

O comportamento lateral reflete um equilíbrio temporário entre compradores e vendedores, com o mercado atento à recuperação de médias móveis como sinal de retomada de tendência positiva. Em contrapartida, a perda de suportes pode aprofundar movimentos corretivos.

Itaú mantém estrutura mais resiliente

Entre os grandes bancos, o Itaú segue apresentando a estrutura técnica mais sólida. Mesmo após uma correção recente, o papel permanece inserido em uma tendência de alta de médio prazo, sustentada por sucessivos meses de valorização.

O ativo opera em fase de acomodação após renovar máximas históricas, com investidores monitorando níveis-chave que podem sinalizar tanto a retomada do fluxo comprador quanto uma correção mais profunda, dependendo do comportamento do mercado.

2026 exige seletividade

O conjunto de fatores indica que, embora o setor bancário continue bem-posicionado do ponto de vista operacional, 2026 tende a exigir maior seletividade por parte dos investidores. O desempenho das ações deve depender não apenas dos resultados financeiros, mas também da evolução do cenário macroeconômico, das decisões de política monetária e do ambiente político ao longo do ano.

Nesse contexto, fundamentos sólidos, gestão de riscos e disciplina na concessão de crédito permanecem como elementos centrais para sustentar a atratividade dos bancos brasileiros no mercado acionário.