Traders em bolsa observam gráfico de queda, refletindo desaceleração do emprego nos Estados Unidos
Desaceleração no mercado de trabalho dos EUA pressiona expectativas e influencia decisões de investidores

O mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentou desaceleração no ritmo de criação de vagas em dezembro, encerrando um ano marcado por menor dinamismo nas contratações, segundo dados divulgados nesta semana. O desempenho reforça sinais de esfriamento gradual da economia americana após um período prolongado de aperto monetário.

De acordo com o relatório, o número de novos postos de trabalho criados no mês ficou abaixo da média observada ao longo do ano, indicando que as empresas adotaram postura mais cautelosa no fim de 2025. Apesar disso, o mercado de trabalho segue resiliente, com nível de emprego ainda elevado em termos históricos.

Contratações perdem fôlego no fim do ano

Ao longo de 2025, a geração de empregos mostrou tendência de desaceleração, especialmente nos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à demanda por consumo. Em dezembro, a criação de vagas refletiu esse movimento, com empresas reduzindo o ritmo de admissões após um período de ajustes operacionais.

Economistas avaliam que o resultado é consistente com um cenário de crescimento mais moderado, no qual empregadores buscam equilibrar custos diante de margens pressionadas e incertezas sobre a trajetória econômica em 2026.

Mercado segue apertado, mas com sinais de acomodação

Mesmo com a perda de fôlego nas contratações, indicadores como taxa de desemprego e participação da força de trabalho permanecem em níveis considerados sólidos. A demanda por mão de obra continua superior à oferta em diversos segmentos, embora o desequilíbrio tenha diminuído em relação aos anos anteriores.

O avanço mais lento dos salários em alguns setores também sugere um processo de acomodação do mercado de trabalho, reduzindo pressões inflacionárias ligadas ao custo da mão de obra.

Impactos para juros e política monetária

Os dados reforçam a leitura de que o mercado de trabalho começa a responder aos efeitos acumulados das taxas de juros elevadas. Analistas apontam que a desaceleração nas contratações pode contribuir para que o Federal Reserve avalie com mais cautela os próximos passos da política monetária ao longo de 2026.

Embora o cenário ainda não indique uma reversão abrupta do ciclo econômico, o desempenho do emprego passa a ser acompanhado com maior atenção pelos investidores, por seu papel central nas decisões sobre juros, inflação e crescimento.

Perspectiva para 2026

Para o próximo ano, a expectativa predominante é de continuidade de um crescimento mais contido do emprego, com menor volatilidade e ajustes graduais. O mercado tende a buscar um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda de trabalho, em um ambiente marcado por menor estímulo monetário e maior seletividade das empresas.

O desempenho do mercado de trabalho seguirá como um dos principais termômetros da economia americana, influenciando tanto as projeções macroeconômicas quanto o comportamento dos mercados financeiros globais.