
O dólar interrompeu a sequência de perdas e encerrou a sessão desta quarta-feira (7) em alta frente ao real, impulsionado pela revisão das expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos, pelo aumento das tensões geopolíticas e por fatores domésticos que elevaram a cautela dos investidores.
A moeda norte-americana à vista fechou o dia cotada a R$ 5,3870, com valorização de 0,13%. No mercado internacional, o movimento foi acompanhado pelo fortalecimento global do dólar. No fim da tarde, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,10%, aos 98.677 pontos.
Dados de emprego nos EUA pressionam mercados
O principal vetor da movimentação cambial foi a divulgação de indicadores do mercado de trabalho norte-americano, que reduziram as apostas em cortes iminentes de juros pelo Federal Reserve.
O relatório ADP mostrou que o setor privado dos Estados Unidos criou 41 mil vagas em dezembro, número abaixo das expectativas do mercado. O dado de novembro também foi revisado para baixo. Já o relatório Jolts apontou queda significativa no número de vagas abertas, sinalizando desaceleração da demanda por mão de obra.
Com isso, o mercado passou a projetar que o Fed manterá a taxa básica de juros, atualmente entre 3,50% e 3,75%, inalterada até março, com possibilidade de corte apenas a partir de abril. A atenção agora se volta para o payroll oficial, que será divulgado na sexta-feira e é considerado o principal termômetro do banco central norte-americano.
Geopolítica e petróleo reforçam cautela
O cenário internacional também contribuiu para o fortalecimento do dólar. Declarações do governo dos Estados Unidos sobre a Venezuela aumentaram a incerteza geopolítica, especialmente após sinalizações envolvendo a destinação de grandes volumes de petróleo venezuelano e a indefinição sobre um calendário eleitoral no país.
Esses fatores pressionaram os preços do petróleo. O contrato mais negociado do Brent, com vencimento em março, caiu 1,22%, encerrando o dia a US$ 59,96 o barril. A queda da commodity afetou moedas de países exportadores, como o real, ampliando a pressão no câmbio doméstico.
Caso Banco Master adiciona risco interno
No Brasil, o ambiente de cautela foi reforçado pelo avanço das discussões envolvendo a liquidação do Banco Master. O tema voltou ao radar dos investidores após declarações do presidente do Tribunal de Contas da União, que indicou que eventuais decisões sobre a reversão do processo caberiam ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo o TCU, ainda não há elementos suficientes para concluir se a liquidação determinada pelo Banco Central foi precipitada. Técnicos da Corte realizam uma inspeção nos documentos do BC, com prazo estimado de até 30 dias para a conclusão da análise.
A combinação entre incertezas externas, revisão das expectativas de juros nos EUA e riscos domésticos contribuiu para a valorização do dólar e para um movimento mais defensivo dos agentes financeiros ao longo do pregão.