
Os preços do cobre atingiram máxima histórica no início de 2026, liderando o avanço do complexo de metais em meio a um ambiente de demanda elevada, oferta restrita e aumento das tensões geopolíticas. O movimento reforça a leitura de que os metais industriais seguem no centro das atenções dos mercados globais neste início de ano.
O contrato de referência do cobre ultrapassou o patamar de US$ 13 mil por tonelada, acumulando valorização superior a 20% nos últimos dois meses. O avanço ocorre em um contexto de estoques globais reduzidos e corrida por suprimentos, especialmente nos Estados Unidos.
Estoques sobem nos EUA e pressionam oferta global
Dados de mercado indicam que os estoques de cobre nos Estados Unidos mais do que quadruplicaram desde abril, à medida que empresas e investidores anteciparam importações diante do risco de novas tarifas comerciais nos próximos anos.
Esse movimento provocou esvaziamento de estoques em outras regiões, agravando o aperto na oferta global e sustentando os preços em níveis elevados nas principais bolsas internacionais de metais.
Tarifas e geopolítica entram no radar
O mercado também reage à perspectiva de novas tarifas sobre importações de cobre, o que tem incentivado fluxos defensivos e antecipação de compras. A incerteza regulatória adiciona um prêmio de risco aos preços, ampliado por tensões geopolíticas e interrupções pontuais na produção.
Greves em minas relevantes e problemas operacionais em países produtores reforçaram o cenário de escassez, reduzindo a margem de segurança dos estoques disponíveis nas principais bolsas de commodities.
Demanda estrutural sustenta preços
Do lado da demanda, o consumo segue firme, impulsionado por projetos de infraestrutura, expansão de redes elétricas, produção de veículos elétricos e construção de data centers, setores intensivos no uso de cobre e outros metais industriais.
Analistas avaliam que esse vetor estrutural limita correções mais profundas no curto prazo, mesmo diante de eventuais ajustes técnicos após a forte alta recente.
Ações do setor acompanham rali
O avanço do cobre se refletiu diretamente nas ações de mineradoras globais. Papéis de empresas ligadas à extração e produção do metal registraram ganhos relevantes, estendendo a valorização acumulada nos últimos meses.
Além do cobre, ouro e prata também operaram em alta, beneficiados por fluxos defensivos, busca por proteção contra riscos fiscais e geopolíticos e expectativas de condições financeiras mais favoráveis ao longo de 2026.
Metais lideram início de ano
Índices globais de metais acumulam ganhos expressivos desde o início do ano, superando outras classes de ativos. O desempenho reforça a percepção de que commodities voltam a ocupar papel central na alocação global, especialmente em um cenário de transição monetária e reprecificação de riscos.
Perspectiva para 2026
A avaliação predominante é que os metais devem permanecer voláteis, mas sustentados por fundamentos sólidos. Com estoques apertados, demanda estrutural elevada e incertezas no comércio internacional, o mercado segue atento a qualquer novo choque de oferta ou sinal regulatório que possa intensificar o movimento.
Nesse contexto, o cobre consolida sua posição como termômetro da economia global e principal destaque entre as commodities no início de 2026.