
A deflagração de um conflito aberto no Leste Europeu traz consequências políticas, econômicas e humanitárias em escala global. Porém, conforme a Órama Investimentos, ainda é prematuro fazer uma avaliação mais assertiva sobre esses impactos.
"Um cenário de guerra, qualquer que seja a intensidade e o prazo, é péssimo nesse instante em que o mundo tenta se recuperar da pandemia de Covid-19", pontua a casa de investimentos.
O primeiro ponto a ser observado, conforme a Órama, é que o momento demanda atenção, mas sem movimentos precipitados nas carteiras. Pelo menos inicialmente, a volatilidade deve subir bastante, afetando o comportamento dos ativos de risco, como ações e criptos. "Pensamos, contudo, que não é a hora de vender a qualquer preço".
As cotações do petróleo e do ouro são mais sensíveis a esse evento, com vieses de alta. As bolsas devem sofrer mais, pois ainda estão acima dos seus valuations, o que pode desencadear novas realizações de lucros.
É importante entender, agora, como reagirão os países ocidentais: se optarão pelas sanções econômicas, como já vêm sinalizando, ou por respostas bélicas.
"Pelo lado econômico, a inflação é a ponta mais visível dessa crise, uma vez que os preços da energia (a maioria dependente do petróleo) serão afetados, dificultando a atuação dos bancos centrais. Muitos analistas, e até membros do Fed, pedem elevações incisivas a partir de março", contextualiza a Órama.
Por isso, será preciso acompanhar esses desdobramentos, dado que um cenário desfavorável para recuperação econômica tem impacto direto em todos os países, sobretudo nos emergentes.
A casa de investimentos ressalta que especialistas afirmam que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não deve conduzir um ataque sanguinário à Ucrânia, pois muitos russos moram no país.
"Além disso, a supremacia militar das forças russas poderiam ultrapassar as barreiras opostas rapidamente, o que abreviaria o conflito".
Desta forma, a Órama sugere cautela na exposição ao risco. "Já vínhamos apontando para a boa relação risco-retorno da renda fixa. Nesses momentos adversos fica ainda mais evidente a importância da diversificação das carteiras e das proteções".