O custo estimado dos componentes do PlayStation 6 saltou de cerca de US$ 760 para aproximadamente US$ 960 entre março e junho de 2026, um avanço próximo de 26% puxado pelo encarecimento das memórias. A estimativa, atribuída ao leaker de hardware Kepler_L2 no fórum NeoGAF, jogou luz sobre o preço final do próximo console da Sony, que ainda não tem nome oficial, data de lançamento ou configuração confirmada.

A cifra não é um documento oficial da Sony nem um teardown auditado após o lançamento. Trata-se de uma projeção de uma fonte com histórico de acertos em gerações passadas de consoles, o que explica a repercussão entre analistas e consumidores. O chamado bill of materials (BOM) mede apenas o custo bruto dos componentes, sem incluir montagem, logística, marketing e margem do varejo.

Memória concentra a alta do custo

O principal motor da elevação não é o processador, e sim a memória. As estimativas tratam o PS6 como um console com cerca de 30 GB de memória de alta velocidade, possivelmente GDDR7, voltado a uma GPU AMD de próxima geração com ray tracing em 4K nativo. Em um modelo de custos, a memória sozinha responderia por cerca de US$ 300 do total, mais que o dobro do APU, avaliado em aproximadamente US$ 110 na configuração analisada.

Outros cálculos preliminares detalham o processo de fabricação: um wafer de 3 nm custaria cerca de US$ 20 mil; com rendimento de 85% e um chip de aproximadamente 280 mm², o APU sairia por cerca de US$ 110 para a AMD. Após empacotamento BGA e testes de fábrica, o processador pronto entregue à Sony ficaria entre US$ 150 e US$ 160. Refrigeração, fonte, controle, estrutura e conexões somariam aproximadamente US$ 80. Mesmo assim, o maior peso da conta está no conjunto formado por memória e SSD.

Escassez de DRAM atinge todo o setor

A raiz do problema está na cadeia global de suprimentos. Data centers voltados a inteligência artificial consomem volumes elevados de memória de alta largura de banda para treinar e operar modelos, enquanto a produção de DRAM não cresce na mesma velocidade. Análises de meados de 2026 indicavam que a escassez deve persistir ao menos até 2028 e que os preços podem não retornar totalmente aos patamares anteriores, mesmo quando novas fábricas entrarem em operação.

A mesma pressão já apareceu em outros produtos ao longo de 2026, de placas de vídeo a consoles atuais, o que indica que o custo mais alto é um movimento de mercado, e não uma particularidade do projeto do PS6. Para um console desenhado para caber em uma faixa de preço de US$ 500, a tentativa de incluir 30 GB de memória rápida esbarra justamente na nova curva de custos.

Indústria debate reduzir memória para 20 GB

Uma das saídas em discussão seria reduzir a memória de 30 GB para 20 GB. O corte, porém, é visto com ceticismo por parte dos desenvolvedores: em uma configuração de 20 GB, sobrariam no máximo 16 GB para jogos, apenas 2,5 GB a mais que o PlayStation 5. Esse acréscimo seria insuficiente para implementar simultaneamente ray tracing completo, efeitos complexos e algoritmos de escalonamento PSSR 3 com geração de quadros e ray casting.

Defensores da redução argumentam que a arquitetura RDNA5 e o framework UDNA poderiam compensar parte da perda com o uso de unidades de matriz tensor integradas às Compute Units, tecnologia Work Graphs e maior aproveitamento do cache L1 para reduzir acessos à memória externa. Segundo essa visão, a renderização neural poderia diminuir a dependência da capacidade física de memória.

O que falta para saber o preço do PS6

O BOM não é o preço final, mas serve de referência para a estratégia da Sony. O PS5 com leitor de disco chegou ao mercado em 2020 por US$ 499, com custo de componentes estimado na casa de US$ 450 a US$ 500, perto do ponto de equilíbrio. O PS3, por outro lado, foi lançado em 2006 por US$ 599 em um cenário em que os componentes custavam próximo ou acima do preço de venda, gerando prejuízo por anos.

Se mantida a lógica de lançar perto do custo, um BOM de cerca de US$ 960 apontaria para um preço sugerido na casa de US$ 999, sem precedente na história dos consoles PlayStation. A alternativa seria a Sony absorver uma perda por unidade maior do que em qualquer geração anterior, apostando na receita de software e assinaturas.

Em meio ao impasse, o presidente-executivo da Sony, Hiroki Totoki, disse que a empresa ainda não decidiu quando lançará o novo console nem a que preço. “Ainda não definimos em que momento lançaremos o novo console nem a que preços. Queremos observar e acompanhar a situação”, afirmou. Sem definição oficial, há relatos que apontam lançamento já em 2027 e também projeções de possível adiamento para 2028 ou 2029, pressionado pelo cenário de memória. Nenhuma dessas datas foi confirmada.

Para analistas, a estabilização do mercado depende do equilíbrio entre oferta e demanda de DRAM. Um eventual excesso de oferta em 2028 ou 2029 poderia reduzir o custo dos componentes sem forçar uma piora nas especificações técnicas do console.