Críticos da inteligência artificial de campos políticos opostos se reuniram nesta terça-feira em Washington para cobrar ação do governo americano sobre os riscos da tecnologia, segundo reportagem da CNBC. O encontro, batizado de “Pro-Human Assembly” e organizado pela Future of Life Institute, entidade sem fins lucrativos que alerta para riscos tecnológicos de larga escala, colocou no mesmo palco o senador Bernie Sanders, o deputado Greg Casar, o deputado Chip Roy e o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon.
Casar afirmou no evento, conforme a CNBC, que empregos, liberdade e segurança estão em risco. A programação já estava definida antes da publicação, na semana passada, do relato de Jacob Coxon, funcionário da Anthropic que pediu demissão e escreveu no X que o desenvolvimento descontrolado de IA representa risco crítico, dizendo que OpenAI e Anthropic brincam com a vida das pessoas. A CNBC informa que, após o episódio, o CEO da OpenAI, Sam Altman, decidiu adiar os planos de abrir o capital da empresa neste ano, citando preocupações com segurança. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo defendendo que as empresas de IA reduzam o ritmo de desenvolvimento, proposta endossada online por Altman e por Elon Musk, fundador da xAI.
Trump e Congresso resistem
As cobranças, porém, não encontraram eco no presidente Donald Trump nem na liderança republicana no Congresso, segundo a CNBC. Trump classificou as preocupações como farsa e reforçou o apoio ao setor em publicação no Truth Social, dizendo que o único controle necessário seria um presidente forte e inteligente. O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que cabe às empresas de tecnologia se autorregular, não ao Congresso, e descartou uma moratória ao desenvolvimento de IA sob o argumento de que os EUA perderiam terreno para a China. O senador Ted Cruz disse ao Politico preferir que, se a tecnologia se tornar letal, sejam robôs assassinos americanos, e não chineses. Na manhã desta terça-feira, o vice-presidente JD Vance se reuniu com republicanos perto do Capitólio e, segundo os presentes, a IA não foi tema.
Entre os que veem ameaça crescente, também não há consenso. Roy disse discordar de Trump e defender uma divisão de decisões entre governo e empresas. Sanders e Casar apresentaram neste mês projeto para proibir a superinteligência artificial e pausar temporariamente o desenvolvimento avançado. A deputada Lori Trahan, que liderou com colegas um projeto bipartidário em junho para criar um marco federal de governança da tecnologia, rebateu o argumento sobre a China: se a humanidade perder o controle da tecnologia, disse, perde junto. Qualquer avanço legislativo ficará para depois das eleições, já que a Câmara deixa Washington nesta quinta-feira e só volta após o pleito de 3 de novembro.





