Botnet Sality desarticulada em operação contra roubo de criptomoedas
Operação internacional desarticula botnet Sality ligada ao roubo de criptomoedas

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na terça-feira (1º de setembro) uma operação internacional para desarticular a botnet Sality, um malware que infecta dispositivos desde 2003 e que passou a ser usado no roubo de criptomoedas. A ação envolveu autoridades americanas, búlgaras, húngaras e romenas, além de empresas privadas como CrowdStrike e Shadowserver Foundation.

Segundo o governo americano, a botnet Sality instalou software malicioso em equipamentos comprometidos ao longo dos últimos 23 anos, possibilitando roubos de criptomoedas e ataques cibernéticos contra vítimas nos Estados Unidos e em outros países. O Departamento de Justiça destacou que as vítimas geralmente não sabiam que seus dispositivos estavam sendo usados como bots na rede.

“Desde 2003, a botnet Sality instala software malicioso em dispositivos comprometidos, possibilitando roubos de criptomoedas e ataques cibernéticos contra vítimas nos Estados Unidos e no exterior”, disse o Departamento de Justiça americano.

Operação internacional desarticula botnet

Participaram da operação FBI, DCIS, Eurojust, Europol, a Direção-Geral de Combate ao Crime Organizado da Bulgária, o Departamento de Crimes Cibernéticos do Escritório Nacional de Investigação da Hungria e, na Romênia, a Polícia, a Direção de Combate ao Crime Organizado e a Unidade Central de Crimes Cibernéticos. A desarticulação ocorreu após a apreensão de domínios usados pela infraestrutura da botnet nos Estados Unidos e na Europa.

No setor privado, CrowdStrike e Shadowserver Foundation ficaram responsáveis por identificar infecções e ajudar a notificar as vítimas para que os dispositivos comprometidos fossem limpos. O governo americano não informou estimativas de valores roubados pelos criminosos nem revelou apreensões de criptomoedas ou prisões ligadas ao caso.

Roubo de criptomoedas passou a ser foco em 2017

Embora o governo americano afirme que a botnet esteja ativa desde 2003, seis anos antes do lançamento do Bitcoin, a CrowdStrike aponta que os hackers passaram a focar o roubo de criptomoedas somente a partir de 2017.

A ação ocorre em um momento de maior atenção das autoridades americanas aos crimes envolvendo criptomoedas. Na mesma semana, os EUA anunciaram o confisco de US$ 560 milhões em criptomoedas doadas ao Hamas, o que reforça o interesse americano no combate a crimes com criptoativos.

Bill Essayli, primeiro procurador-adjunto dos Estados Unidos, destacou que o caso demonstra como parcerias entre os setores público e privado podem gerar resultados no enfrentamento a redes criminosas digitais.