A federação formada por União Brasil e Progressistas, batizada de União Progressista, decidiu não endossar nacionalmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. A informação foi confirmada por integrantes da alta cúpula da aliança partidária, que afirmaram que os diretórios estaduais terão liberdade para escolher seus apoios locais na disputa presidencial.
Essa decisão reflete um acúmulo de desgastes entre o pré-candidato e os principais dirigentes da federação nos últimos meses. Um dos episódios mais significativos envolveu o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, que foi alvo de uma investigação da Polícia Federal em maio, relacionada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Nogueira esperava uma manifestação pública de apoio de Flávio Bolsonaro, que nunca veio. Antes desse rompimento, chegou a ser cogitado que Ciro Nogueira compusesse a chapa como vice de Flávio.
Pressão de lideranças estaduais e desgastes adicionais
Além do caso Ciro Nogueira, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também se incomodou com a omissão de Flávio após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado do senador. Canella foi detido na quarta-feira (8) durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, após um fuzil ser encontrado no porta-malas de seu carro. Em depoimento à Polícia Federal, ele alegou que a arma pertencia a um policial militar de sua equipe de segurança, mas não apresentou provas. Novamente, Flávio não se pronunciou publicamente em defesa do aliado.
Paralelamente, desde o início do ano, os presidentes dos partidos receberam pedidos de filiados para que a federação se mantivesse neutra na corrida presidencial. O argumento central é regional: deputados, especialmente do Nordeste, avaliam que um apoio formal a Flávio poderia prejudicar candidaturas locais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda mantém forte capital eleitoral.
Estratégia para o Senado e o caso de São Paulo
Apesar da decisão de não apoiar Flávio em âmbito nacional, o Progressistas pretende liberar seus diretórios estaduais para definir os apoios locais. No estado de São Paulo, por exemplo, o partido decidiu apoiar o bolsonarista. A avaliação interna é que o apoio a Flávio é fundamental para fortalecer a pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado. Enquanto o pré-candidato do PL, André do Prado, conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cabe a Flávio concentrar esforços para impulsionar Derrite.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (6) mostra Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (PSB) tecnicamente empatadas na disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo, com 18% e 16%, respectivamente. André do Prado (PL) tem 11% e Guilherme Derrite (PP) aparece com 10%. Você pode acompanhar os bastidores e as principais decisões da política em tempo real aqui na SpaceMoney.





