Analistas projetam que os Estados Unidos vão ultrapassar o teto da dívida de US$ 41,1 trilhões em algum momento de 2027, o que obrigará o Congresso a elevar ou suspender o limite antes que o Tesouro esgote as chamadas medidas extraordinárias e o país se aproxime de um calote. Segundo a CNBC, a eleição de meio de mandato de novembro pode tornar essa próxima crise fiscal ainda mais difícil de resolver.

Se os democratas conquistarem uma ou as duas casas do Congresso na eleição, abre-se a porta para um impasse: o partido deve tentar extrair vitórias de política do presidente republicano Donald Trump em troca de evitar a turbulência. Na semana passada, Trump propôs um dividendo de US$ 5.000 para cada americano caso os republicanos vençam as eleições, medida que, conforme a CNBC, pode fazer o país atingir o teto da dívida mais cedo.

Alguns republicanos defendem elevar o limite ainda neste ano para evitar o confronto, possivelmente durante a sessão legislativa de fim de mandato que ocorre logo depois da eleição. Mas parte do partido já rejeita a ideia sem cortes profundos de gastos, em um momento em que a dívida nacional passa de US$ 40 trilhões, nível recorde. “Um aumento generalizado não terá meu voto”, disse à CNBC o deputado Eric Burlison, republicano do Missouri, que defende uma emenda constitucional para exigir orçamento equilibrado. Já o deputado Chip Roy, do Texas e membro do Freedom Caucus, afirmou à CNBC que só apoia a medida com restrições e reformas de gastos.

Margem apertada e histórico de impasse

O cenário deixa o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder da maioria no Senado, John Thune, em posição delicada. Johnson tem margem mínima na Câmara e só pode perder três votos em uma votação partidária, enquanto o Senado exige 60 votos para superar a obstrução, o que torna o apoio democrata necessário. Os democratas, por sua vez, devem resistir a um pacote imposto na sessão de fim de mandato, segundo o deputado Suhas Subramanyam, que afirmou à CNBC que o partido não vai embarcar na ideia.

Não seria a primeira vez que o teto da dívida vira moeda de troca. Em 2023, os republicanos da Câmara, então liderados pelo presidente Kevin McCarthy, levaram o país à beira do calote antes de fechar um acordo com o então presidente Joe Biden que trocou corte de gastos por elevação do limite. O impasse daquele ano levou a Fitch a rebaixar a nota dos EUA de AAA para AA+, citando a erosão da confiança na gestão fiscal. O deputado Richard Neal, principal democrata no Comitê de Meios e Recursos da Câmara, disse à CNBC que os cortes de impostos de 2017 e do ano passado contribuem fortemente para o problema e que mexer no tema é perigoso.