
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira, 2 de setembro, que a Corte anunciará “medidas cabíveis e necessárias” sobre as mensagens atribuídas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes. A declaração foi feita na abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanho-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília (DF).
Fachin disse que as providências serão adotadas “no tempo devido e sem precipitação”, após a conclusão da análise dos fatos. A fala foi registrada pela Agência Brasil.
Segundo o Monitor do Mercado, a manifestação ocorre um dia depois de a Polícia Federal (PF) ter tornado público o relatório que aponta supostos contatos entre Vorcaro e Moraes e de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter pedido a nulidade da investigação. Para a PGR, o relator do caso, ministro André Mendonça, não poderia ter determinado o aprofundamento da apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário.
“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do STF, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, disse Fachin. Na mesma ocasião, ele afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional” e que a Presidência anunciará as medidas “nos próximos dias”.
Efeito sobre o Banco Master
A decisão sobre as medidas cabíveis e necessárias tem efeito direto sobre a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2025. O rombo da instituição já mobilizou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que começou a pagar em janeiro cerca de R$ 40,6 bilhões em garantias a aproximadamente 800 mil credores, com teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Relatório da PF e prisão de Vorcaro
No relatório tornado público na terça-feira, 1º de setembro, a PF afirma que Vorcaro trocou mensagens com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” no celular apreendido quando o banqueiro foi preso, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai. A prisão ocorreu dois dias após as conversas atribuídas ao ministro, informou o jornal O Povo.
Parte do conteúdo foi apagada porque o contato usava mensagens de atualização única e textos no bloco de notas, o que impede a recuperação completa dos dados. Fachin afirmou que a Corte dará o encaminhamento devido aos indícios somente depois de concluir a análise dos fatos e sem precipitação.





