A sessão em que o STF discutiria o relatório da PF a respeito da ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi marcada por confrontos entre os magistrados, segundo o g1.

Moraes e André Mendonça trocaram acusações. O primeiro perguntou, mais de uma vez, quem teme a PF e disse que Mendonça havia buscado a corporação para pedir a inclusão de um colega em colaboração premiada, versão que afirmou poder comprovar com testemunhas. Mendonça rejeitou a acusação e afirmou tratar-se de mentira.

Gilmar Mendes também divergiu do relator ao apontar viés eleitoral na condução do caso, e ouviu de Mendonça a réplica de que estava sendo leviano. Antes, Flávio Dino e o presidente da Corte, Edson Fachin, haviam se desentendido sobre a ordem das falas; Fachin lembrou que o regimento manda pedir a palavra à Presidência.

Em entrevista à Globonews, o jurista Gustavo Sampaio afirmou que os ministros agiram de modo incompatível com o que se espera de uma corte judicial, sem a serenidade e a contenção habituais. Segundo ele, o episódio repete tensões já vistas em julgamentos como o do Mensalão, e todos ali têm motivação política; o temor é o uso mal-intencionado do que ocorre na Corte durante o processo eleitoral, razão pela qual as investigações da Compliance Zero e do inquérito das Fake News provocam medo.

Com 19 dias para o primeiro turno, Sampaio disse que o calendário eleitoral não deve alterar o andamento do caso e que investigar ministros sob suspeita exige aval do Plenário. Ele também afirmou que o argumento de Nunes Marques, que se declarou impedido por comandar o TSE, carece de técnica jurídica.