O senador Jaques Wagner (PT-BA) não vai à Polícia Federal nesta sexta-feira (7). Investigadores confirmaram que o depoimento marcado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura o esquema envolvendo o Banco Master, foi desmarcado. Com isso, a semana termina com duas oitivas canceladas no mesmo inquérito, um sinal de que a estratégia de defesa e o calendário processual seguem em constante movimento.

A informação foi confirmada por pessoas ligadas às investigações, mas ainda não há posicionamento oficial da defesa do senador sobre a justificativa do cancelamento ou a definição de uma nova data. O movimento ocorre dias depois de o Supremo Tribunal Federal autorizar o acesso a dados do parlamentar, um passo importante para o avanço das apurações.

O caso ganhou contorno político porque o senador é líder do governo no Senado. A eventual relação de Vorcaro com lideranças do Congresso, segundo a PF, pode ter facilitado a estrutura de fraudes bilionárias que resultou na liquidação do banco pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Cancelamento em série no inquérito da Compliance Zero

Esta é a segunda oitiva desmarcada na semana. Na segunda-feira (3), o ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima, também teve seu depoimento adiado. Ele é considerado peça central para entender a conexão entre o banqueiro e o senador baiano.

A sequência de cancelamentos chama atenção porque ocorre em um momento de aprofundamento das investigações. A PF já mapeou ao menos 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima, o que indica uma relação frequente e prolongada.

A defesa de Wagner ainda não se manifestou publicamente sobre os motivos do adiamento. A assessoria do parlamentar também não respondeu aos contatos feitos pela reportagem até o fechamento desta edição.

O vínculo com o caso Master e as ligações mapeadas

A relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima é um dos principais vetores de investigação. Lima, ex-dono do Banco Pleno, que também teve a liquidação decretada pelo Banco Central, é tratado pela PF como o elo que liga o senador ao núcleo do esquema. O apelido Guga, pelo qual Wagner se referia a ele, está registrado nas apurações.

Além das ligações telefônicas, os investigadores buscam entender se houve tráfico de influência ou qualquer tipo de favorecimento envolvendo o Banco Master. A autorização do STF para acessar dados do senador foi um passo decisivo para ampliar o alcance das diligências.

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Próximos passos e repercussão política

A expectativa agora gira em torno da marcação de uma nova data para o depoimento. Não há informações sobre quando Wagner deverá ser ouvido, mas a tendência é que a PF busque concluir as oitivas para avançar com outras fases do inquérito.

Politicamente, o caso adiciona pressão sobre o governo, já que Wagner exerce o cargo de líder da maioria no Senado. A oposição deve explorar o episódio para questionar a relação do Palácio do Planalto com personagens investigados.

Enquanto isso, as investigações continuam em sigilo. O Banco Central já liquidou as instituições envolvidas, e o Ministério Público acompanha os desdobramentos. Novos depoimentos e eventuais quebras de sigilo podem surgir nas próximas semanas.