O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao primeiro turno deste domingo com uma das disputas mais concentradas dos últimos ciclos eleitorais no Brasil. Levantamentos de Quaest, Datafolha, AtlasIntel e Real Time Big Data colocam o presidente numericamente à frente, mas nenhum dos institutos registra vantagem confortável entre os dois. Em um eventual segundo turno, o quadro é de empate estatístico, segundo apurou o InfoMoney.

Vantagem estreita e avanço de Flávio na reta final

Na rodada da Quaest divulgada neste sábado (3), Lula soma 46% dos votos válidos contra 45% do senador. O Datafolha registra 45% a 42%, enquanto a AtlasIntel aponta 47% para o presidente e 44,1% para o candidato do PL. A Real Time Big Data, cuja última medição foi tornada pública na quinta-feira (1º), mostra Lula com 43% e Flávio com 39% nos votos totais — 46% a 41% entre os válidos.

Os institutos adotam metodologias e períodos de coleta distintos, o que inviabiliza a comparação direta dos percentuais. O ponto em comum é a concentração do eleitorado nos dois polos. Na Quaest, eles somam 91% dos votos válidos; no Datafolha, 87%. Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem em patamares muito inferiores, o que ampliou a pressão por voto útil na reta final da corrida presidencial.

Agenda de Lula, aproximação de Flávio e controvérsia

O senador foi quem exibiu o movimento mais visível de aproximação em alguns levantamentos. No Datafolha, subiu de 40% para 42% dos votos válidos entre quinta-feira e sábado, enquanto Lula permaneceu em 45%. Na Real Time Big Data, ambos haviam avançado dois pontos na rodada anterior, com o presidente passando de 41% para 43% e Flávio de 37% para 39% nos votos totais. O avanço coincide com a estratégia do senador de atrair eleitores dos demais candidatos de direita.

Lula, por sua vez, chega às urnas sem arrancada equivalente, mas preservando a dianteira numérica nos quatro institutos. A reta final do presidente foi marcada por medidas de forte apelo popular, como o reajuste do Bolsa Família, uma nova etapa do Desenrola e a proibição das bets. Na AtlasIntel, a avaliação negativa do governo recuou de 51% para 50% entre as duas últimas rodadas, enquanto a positiva subiu de 40% para 41%.

Do lado do senador, a campanha precisou administrar a controvérsia envolvendo publicações falsas segundo as quais ele defenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A Justiça Eleitoral determinou a retirada desse conteúdo, e Flávio negou apoiar qualquer iniciativa nesse sentido.

Segundo turno segue sem favorito estatístico

O equilíbrio fica ainda mais evidente na simulação de segundo turno. No Datafolha, Lula aparece com 47% e Flávio com 46%. Na AtlasIntel, são 47,6% para o presidente e 47,4% para o senador — 50,1% a 49,9% quando considerados apenas os votos válidos. Na Real Time Big Data, Flávio registra 46% e Lula, 45%. Todos os resultados estão dentro das respectivas margens de erro, o que mantém a política nacional sem um favorito claro para o eventual segundo turno.

A campanha foi encerrada neste sábado (3) com agendas simultâneas em São Paulo. O presidente fez caminhada na capital ao lado de Fernando Haddad, enquanto o candidato do PL seguiu para o interior acompanhado de Tarcísio de Freitas. A fotografia conjunta das pesquisas mostra uma eleição que chega ao domingo com Lula numericamente à frente no primeiro turno, Flávio mais próximo na reta final e um tabu de 37 anos em jogo: o líder do primeiro turno nunca perdeu uma eleição presidencial no período.