A configuração do Senado Federal será definida neste domingo, quando os eleitores escolhem 54 dos 81 integrantes da Casa — o equivalente a dois terços das cadeiras. Levantamentos estaduais compilados às vésperas da votação indicam avanço de candidatos de oposição ao governo Lula, mas os números ainda mantêm esse campo distante dos patamares exigidos para aprovar mudanças na Constituição ou condenar autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme apurou o InfoMoney.
Das 54 vagas em disputa, 27 contam com postulantes de oposição em posição numericamente competitiva nas pesquisas mais recentes. Outros 23 nomes aparecem classificados como aliados do governo e quatro como independentes, grupo que pode votar com qualquer um dos polos conforme o tema em pauta. Caso esse quadro se confirme nas urnas, os 27 eleitos se somariam aos 16 senadores de oposição cujos mandatos seguem até 2031, formando uma bancada de 43 integrantes, ante 34 hoje.
Os três quóruns que definem o poder da Casa
O primeiro patamar é de 41 votos, o mínimo para obter maioria absoluta, exigida para referendar um nome indicado pelo presidente da República ao Supremo. O segundo é de 49 votos, ou três quintos dos 81 senadores, suficiente para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), cuja votação ocorre em dois turnos. O terceiro é de 54 votos, equivalentes a dois terços da Casa, requerido para condenar uma autoridade como um ministro do STF em processo de impeachment.
No cenário desenhado pelas pesquisas estaduais, a bancada oposicionista de 43 integrantes superaria apenas o primeiro desses limites. Para alcançar os demais, dependeria de negociações com senadores hoje classificados como independentes ou alinhados ao governo, o que reduziria o alcance de uma agenda unilateral.
PL concentra candidatos, e indefinição segue alta
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, reúne o maior número de candidatos posicionados entre os dois primeiros colocados nas pesquisas estaduais, com cerca de 13 nomes. O MDB aparece com oito e o PT com seis. Esse desempenho tem impacto direto na política nacional: Flávio colocou a ampliação da bancada de oposição entre suas prioridades e apoiou candidaturas comprometidas com maior pressão sobre o STF, enquanto Lula intensificou pedidos de voto em aliados ao Senado e demonstrou preocupação com a possibilidade de governar sem maioria.
A corrida ao Senado, porém, segue marcada por incerteza incomum. Cada eleitor tem dois votos, o número de concorrentes é elevado e os índices de indefinição são altos: pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira (30) mostrou que 59% dos eleitores ainda não haviam definido nenhum dos dois votos para o Senado, enquanto 27% já tinham escolhido ambos e 14% apenas um.
São Paulo ilustra essa volatilidade. Levantamento da Quaest desta semana colocou Guilherme Derrite (PP) com 18%, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) com 15% cada e André do Prado (PL) com 12%. A Real Time Big Data, no mesmo período, mostrou Derrite com 22%, André com 20%, Tebet com 18% e Marina com 15%, com os postulantes embolados em diferenças dentro da margem de erro.
Pressão sobre o STF entra no debate eleitoral
A disputa ganhou peso adicional após a crise que envolveu o Banco Master e integrantes do STF. Candidatos de diferentes campos passaram a defender algum tipo de responsabilização ou investigação de ministros da Corte, ainda que as posições sobre casos específicos e sobre impeachment variem entre eles.
Mesmo no cenário de 43 oposicionistas indicado pelos levantamentos, o próximo Senado teria maioria absoluta desse grupo, mas decisões que exigem três quintos ou dois terços continuariam dependendo de negociações com outros blocos. O tamanho real da mudança dependerá de disputas ainda abertas e de um eleitorado que, a poucos dias da votação, permanece muito mais indeciso para o Senado do que para a Presidência.





