O governo brasileiro mantém o canal de diálogo com os Estados Unidos mesmo após a conclusão do relatório do Departamento de Comércio (USTR) sobre o tarifaço. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou que as tratativas prosseguirão com reuniões agendadas até o prazo final de 15 de julho, quando a recomendação será enviada à Casa Branca.

Cronograma das negociações antes do prazo final

Até a próxima segunda-feira (13), está previsto um encontro de alto nível entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. A reunião terá caráter político e ocorrerá paralelamente às discussões técnicas já em andamento. As equipes dos dois países podem realizar uma nova rodada de conversas técnicas antes do envio do relatório.

O ministro ressaltou que, mesmo depois da remessa do documento à Casa Branca, as negociações não serão interrompidas. O governo brasileiro busca, com isso, abrir uma janela para propostas concretas que permitam retirar setores do chamado tarifaço e reduzir as alíquotas que venham a ser aplicadas. A estratégia é compartilhada por integrantes do governo Trump, que veem espaço para ajustes.

Estratégia brasileira para reduzir impacto do tarifaço

O principal objetivo da diplomacia comercial brasileira é evitar que o tarifaço atinja setores estratégicos da economia nacional. As negociações concentram-se em argumentos técnicos e políticos para demonstrar que a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros pode gerar efeitos colaterais indesejados para os próprios Estados Unidos.

Um dos argumentos centrais é que o encarecimento da entrada de produtos brasileiros aumentaria a dependência das linhas de produção americanas em relação a insumos e itens chineses — justamente o movimento que a administração Trump deseja evitar. A Casa Branca tem se posicionado contra a ampliação da participação chinesa na cadeia produtiva norte-americana.

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Visão do setor produtivo e argumentos econômicos

Empresas que participaram das audiências recentes avaliam que o tarifaço é praticamente inevitável, mas acreditam que sua magnitude pode ser calibrada conforme os impactos na economia dos Estados Unidos. A percepção é de que o governo americano está disposto a ouvir contrapontos, especialmente aqueles que evidenciam riscos de curto e médio prazo.

O setor produtivo brasileiro acompanha de perto os desdobramentos, sobretudo nos segmentos mais expostos ao mercado americano. A expectativa é que as próximas semanas sejam decisivas para definir o alcance das tarifas e as possíveis exceções setoriais. O ministro Márcio Elias Rosa sinalizou que o Brasil continuará atuando em todas as frentes para minimizar os efeitos do tarifaço.