O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29), durante evento em Sergipe, que ainda sonha em reverter as privatizações da Eletrobras e da BR Distribuidora, reconhecendo, porém, que obstáculos legais e financeiros dificultam essas recompras no curto prazo.
Declaração em Laranjeiras, Sergipe
Em discurso na Fafen-SE, unidade em Pedra Branca, no município de Laranjeiras, cuja reativação para produção de fertilizantes foi anunciada, Lula foi direto ao criticar os processos de venda de estatais realizados em governos anteriores. A unidade retoma operações como parte da estratégia de reforço à produção nacional de insumos agrícolas.
As barreiras para a recompra
Sobre a Eletrobras, Lula afirmou que a estrutura da privatização tornaria o processo de recompra até três vezes mais caro para o governo. «A privatização foi tão canalha que disseram que será três vezes mais caro para o governo comprar», declarou. Já em relação à BR Distribuidora, empresa que ainda utiliza o nome da Petrobras em sua marca, o presidente indicou que uma eventual recompra só seria possível a partir de 2029, por restrições contratuais. «Se a gente quiser comprar de volta, só será [possível] em 2029», disse, classificando a forma da venda como sórdida.
Crítica à gestão e às privatizações
Lula associou as decisões de privatizar empresas públicas à incapacidade de gestão dos indicados para administrá-las. Para o presidente, a venda de estatais ocorre quando há «falta de competência» por parte dos gestores para administrar o patrimônio público e lidar com os trabalhadores. «Tem gente que acha que é só vender. É gente que não tem competência. Eles desmontam a coisa pública para entregar de graça, por não saberem administrar nem lidar com o trabalhador», argumentou.
Contexto político e econômico
As declarações reforçam uma postura recorrente do governo Lula de questionar o ciclo de privatizações ocorrido, sobretudo, durante a gestão Bolsonaro. A Eletrobras foi privatizada em 2022 em operação que movimentou cerca de R$ 33,7 bilhões. A BR Distribuidora, rebatizada de Vibra Energia, teve sua privatização concluída em etapas entre 2019 e 2021. Apesar do discurso, o Executivo não apresentou nenhuma proposta formal ou projeto de lei para reverter essas operações. As falas de Lula têm caráter declaratório e político, sem tramitação institucional em curso. Para entender o cenário mais amplo das decisões do governo federal, acompanhe a cobertura de política da SpaceMoney.





