A corrida presidencial de 2026 chega ao primeiro turno neste domingo sem favorito consolidado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) permanecem separados por poucos pontos nas principais pesquisas, em um cenário que reedita a polarização de 2022 sem repetir a vantagem de dois dígitos que marcou parte da reta final daquela disputa, segundo apurou o InfoMoney, em uma eleição que concentra a atenção da política nacional.

Os institutos divergem entre si por usarem metodologias distintas, e os percentuais não devem ser lidos como uma série única. Na Quaest, Lula soma 39% contra 34% de Flávio. A AtlasIntel/Bloomberg mostra 45,3% a 42,2%. Já a Meio/Ideia registra 39,4% a 38,4%, em empate técnico. O quadro geral aponta para uma definição no detalhe, com dois blocos eleitorais que chegam praticamente formados à urna.

Um mapa eleitoral sem espaços confortáveis

Lula mantém sua principal força entre os eleitores de menor renda e no Nordeste, onde lidera nos nove estados conforme as pesquisas estaduais mais recentes. No mapa nacional, o petista está à frente em 11 estados. Flávio lidera em oito unidades e no Distrito Federal, enquanto sete apresentam empate técnico. O desafio do presidente é manter a vantagem robusta no Nordeste e encurtar a distância nos maiores colégios eleitorais.

São Paulo e Rio de Janeiro seguem mais favoráveis ao candidato do PL. Em Minas Gerais, o Datafolha apontou 39% para Lula e 37% para Flávio, dentro da margem de erro. Essa geografia concentrou o fim das duas campanhas no Sudeste, com atenção especial a São Paulo, Minas e Rio.

Flávio chega à votação com um eleitorado que remete ao bolsonarismo. O candidato do PL preservou boa parte do apoio conquistado por Jair Bolsonaro em 2022 e mantém força no Sul, no Centro-Oeste e em partes do Sudeste, liderando em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Rondônia e Roraima. Essa capacidade de segurar a base reduziu o espaço para uma candidatura alternativa de direita. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) permanecem distantes na maior parte das pesquisas. Na Quaest desta semana, Cury e Caiado tinham 4% cada e Renan, 3%. Na Atlas, Renan aparecia com 5,2%, Cury com 2% e Caiado com 1,8%.

Economia, religião e o caso Banco Master

Na reta final, a campanha de Lula tentou levar o debate para o terreno das medidas com efeito imediato no orçamento das famílias. O Planalto divulgou uma nova etapa de renegociação de débitos, incluiu na pauta o reajuste do Bolsa Família e atuou no debate sobre o mercado de apostas. A ofensiva veio acompanhada de agendas de rua mais intensas e da vitrine de entregas do mandato, em uma tentativa de reativar eleitores de baixa renda — faixa em que a campanha identificou risco elevado de abstenção.

Ao mesmo tempo, Lula carrega o desgaste inerente a quem ocupa o Palácio do Planalto. A Meio/Ideia desta quarta-feira registrou divisão exata na avaliação pessoal do governo: 49% aprovam e 49% desaprovam. Isso ajuda a explicar por que, apesar de comandar a máquina federal e liderar parte dos levantamentos, o presidente não conseguiu abrir vantagem maior.

O caso Banco Master atravessou a campanha sem criar uma clivagem clara entre situação e oposição. Apurações e matérias jornalísticas atingiram nomes de diversos partidos, do Supremo Tribunal Federal e do próprio senador. Levantamento do Datafolha indicou que 34% dos ouvidos ligavam o caso sobretudo à esquerda, enquanto 27% apontavam a direita. O tema serviu de munição para os dois campos, sem, até aqui, alterar de forma decisiva os levantamentos.

Nos últimos dias, um novo assunto entrou na campanha de Flávio. Conteúdos falsos começaram a vinculá-lo a uma proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A narrativa era inverídica, mas ganhou tração entre católicos e fez com que a campanha acionasse a Justiça Eleitoral. O episódio forçou o candidato a gastar parte dos últimos dias rebatendo o boato, adicionando um tom defensivo ao encerramento da campanha.

Quando o teste é feito em um eventual segundo turno, o equilíbrio permanece. A Quaest aponta 42% a 42%. A AtlasIntel/Bloomberg marca 47,7% para Flávio contra 47,6% de Lula. A Meio/Ideia traz 48,5% para o presidente e 48% para o senador. Em todos os casos, empate técnico. O primeiro turno vai medir o tamanho real dessas duas bases e definir com que distância cada candidato entrará em uma eventual segunda etapa.