Lula busca parceiros após taxação de 25% dos EUA
Lula busca parceiros após taxação de 25% dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai intensificar a busca por novos parceiros comerciais para reduzir os impactos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, convocada em resposta ao relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) que propõe taxação de 25% sobre parcela das importações brasileiras.

O que Lula disse aos ministros

Em tom firme, Lula afirmou que o Brasil não ficará dependente da relação comercial com Washington. «Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano», declarou o presidente.

Lula acrescentou que o governo abandona a postura que chamou de submissa diante das grandes potências. «Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito», afirmou.

O que o relatório da USTR determina

O USTR publicou o relatório na segunda-feira (1º), resultado de investigação iniciada há um ano pelo governo Trump sobre supostas «práticas desleais» do Brasil no comércio bilateral. O documento aponta o sistema de pagamentos Pix como um dos focos da disputa, alegando que ele prejudica «injustamente» empresas norte-americanas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as tarifas propostas ameaçam diretamente 21% do total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O governo brasileiro e empresas afetadas têm até 15 de julho para apresentar manifestações ao relatório final. A partir dessa data, os EUA poderão adotar «medidas corretivas» contra o Brasil.

Lula relata surpresa com a decisão americana

O presidente afirmou que a atitude dos EUA contradiz um acordo verbal firmado em maio, quando se reuniu com Donald Trump na Casa Branca. Na ocasião, Lula entregou documentos que demonstravam o superávit comercial acumulado pelos Estados Unidos com o Brasil nos últimos 15 anos: US$ 415 bilhões.

«Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles», disse Lula. Os dois líderes haviam acordado um prazo de 30 dias para tentativa de acordo comercial.

Brasil vai ao G7 e reforça multilateralismo

Como reação ao cenário, Lula anunciou que participará da cúpula do G7, em junho, na França — evento que inicialmente não estava em sua agenda. O Brasil comparece como convidado do presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

«Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições», afirmou. Lula reiterou sua defesa pelo fortalecimento da ONU e pela reforma do Conselho de Segurança, posição que vem sustentando no âmbito da política externa brasileira.

Próximos passos

O prazo para manifestações ao USTR encerra em 15 de julho. O governo brasileiro deve articular resposta formal junto ao Ministério do Desenvolvimento, enquanto o Palácio do Planalto acelera contatos diplomáticos com parceiros alternativos na Europa, Ásia e demais blocos emergentes.