O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, classificou como agressão gratuita contra duas mulheres as críticas feitas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) às pré-candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Em declaração a jornalistas na capital paulista antes de participar do podcast Derrubando Muros, Haddad disse ter ficado perplexo com as falas do adversário e defendeu que as divergências políticas sejam tratadas no campo das ideias.
Os bastidores da polêmica em São Paulo
Haddad afirmou que não é necessário concordar com as pautas ambientais e educacionais defendidas por Marina e Tebet, mas é preciso respeito. O petista destacou os serviços prestados pelas duas ex-senadoras. As falas de Haddad ocorreram dois dias após Tarcísio afirmar que Marina e Tebet não começaram a fazer política em São Paulo e que as duas levaram cartão vermelho nos estados onde construíram suas trajetórias. Tarcísio fez as declarações durante evento ao lado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), também candidato ao Senado.
Marina Silva reagiu dizendo que São Paulo acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo, lembrando que foi tratada no Hospital das Clínicas quando enfrentou problemas de saúde ainda jovem. Simone Tebet disse que paga impostos no estado há dez anos e se declarou corintiana, em resposta à brincadeira de Tarcísio sobre ser flamenguista. As duas aparecem à frente dos candidatos apoiados pelo governador nas pesquisas de intenção de voto para o Senado.
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O embate jurídico e político sobre domicílio eleitoral
A legislação brasileira não exige que um candidato tenha construído carreira política no estado onde pretende disputar eleição. A Constituição e a Lei Eleitoral determinam como condições de elegibilidade nacionalidade brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral na circunscrição pelo prazo de seis meses antes do pleito, filiação partidária e idade mínima. O local de nascimento não é critério.
O próprio Tarcísio é exemplo disso: nascido no Rio de Janeiro, viveu em Brasília e mudou o domicílio para São José dos Campos em 2022 para concorrer ao governo. Outros casos incluem os deputados Eduardo Bolsonaro (PL), mais votado em SP em 2018 e 2022, e Rosângela Moro, natural de Curitiba e eleita deputada federal por SP em 2022. A esposa de Sérgio Moro enfrentou ação do PT por mudança de domicílio, mas o TRE-SP arquivou o processo. Já o próprio Sérgio Moro teve a transferência de domicílio para SP rejeitada pelo tribunal em 2022.
Exemplos históricos de candidatos forasteiros em São Paulo
São Paulo tem histórico de eleger candidatos nascidos em outras regiões. A capital paulista teve como prefeitos Luiza Erundina (PSOL), paraibana que construiu carreira em SP e foi eleita em 1989 pelo PT, e Celso Pitta, carioca que se mudou para a cidade em 1987 e foi eleito sucessor de Paulo Maluf em 1996. Jânio Quadros, nascido em Campo Grande (MS), foi prefeito da capital duas vezes e governador do estado, além de presidente da República.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo aos 8 anos e foi professor na USP antes de ingressar na política. Foi candidato a prefeito em 1985 e eleito senador por SP em 1986. Tiririca, cearense, foi um dos deputados federais mais votados do país por duas eleições consecutivas.





