No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma carta aberta ao ex-presidente Jair Bolsonaro depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar o pedido de visita formulado por ele e pelos irmãos Carlos Bolsonaro e Jair Renan. O ex-presidente está em prisão domiciliar, e a recusa foi comunicada no sábado (8), na véspera da data comemorativa.

O veto e o contexto da decisão do STF

O despacho considerou o requerimento “prejudicado”, uma vez que uma decisão anterior, tomada em 17 de julho, já havia suspendido todas as visitas por um período de 30 dias. Com isso, o encontro desejado pela família esbarrou na medida vigente, e o senador e os dois irmãos não puderam estar com o ex-presidente no Dia dos Pais. A situação foi tratada por Flávio como uma restrição desproporcional, embora o tribunal tenha mantido o argumento de que o pedido perdeu o objeto diante da suspensão já determinada.

O episódio ocorre em um momento de agenda intensa para o senador, que tem recebido manifestações de apoio ao ex-presidente durante viagens pelo país. A negativa do STF, divulgada na véspera da data, ampliou o tom de crítica de Flávio à atuação de Moraes e entrou no radar da disputa eleitoral. O caso se soma à agenda política em um cenário de movimentação intensa das lideranças partidárias.

A carta de Flávio e a reação ao impedimento

Na carta, divulgada nas redes sociais, o senador afirmou que gostaria de abraçar o pai e que, diante do impedimento, resolveu escrever tudo o que pretendia dizer pessoalmente. O texto foi publicado junto com um vídeo em que Flávio aparece emocionado ao ler trechos da mensagem. Ele classificou a proibição de visita como desumana, insana, injusta e triste e disse que a medida atingiu diretamente a relação entre pai e filhos na data comemorativa.

A reação do senador não se limitou ao aspecto afetivo. Flávio também afirmou que tem recebido manifestações de apoio ao ex-presidente durante os compromissos de campanha e que as demonstrações reforçam sua leitura sobre o momento político. Na mesma manifestação, o candidato à Presidência declarou estar confiante na vitória na eleição.

Eleição e articulação de alianças

Em outro trecho da manifestação, Flávio reconheceu que ainda não conseguiu fechar coligação para a disputa presidencial. Segundo o senador, os partidos de centro não formalizaram apoio até o momento, mas as principais lideranças dessas legendas estão alinhadas à candidatura. A declaração expõe um cenário de negociação ainda em aberto e revela a aposta do senador em transformar capilaridade política em sustentação eleitoral.

A publicação da carta no Dia dos Pais, portanto, uniu a dimensão familiar ao gesto político. O abraço que não pôde ser dado foi convertido em mensagem pública, e a decisão do STF passou a integrar a narrativa de campanha de Flávio, que reforçou a expectativa de êxito na eleição mesmo sem o apoio formal das siglas de centro.