O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, utilizou uma reunião com diplomatas de quase 50 países e organizações internacionais para repetir acusações infundadas contra as urnas eletrônicas brasileiras, todas já refutadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O encontro, realizado nesta terça-feira (21), fez parte do evento Debatendo o Brasil, série de debates reservados entre pré-candidatos e representantes estrangeiros promovido pelo Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report.

Durante sua fala, Flávio associou as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, mencionando um suposto relatório da CIA que indicaria envolvimento da empresa em fraudes eleitorais na Venezuela em 2012. O senador afirmou que as urnas teriam a mesma origem e pediu que os países enviassem mais observadores eleitorais, declarando que não estava questionando o sistema de votação nacional. No entanto, suas afirmações já circulam em redes sociais e foram desmentidas pelo TSE em diversas ocasiões.

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Acusações infundadas sobre as urnas eletrônicas

No evento, Flávio repetiu teses já desacreditadas sobre vulnerabilidades das urnas. Ele disse que a origem das urnas brasileiras seria a mesma das urnas venezuelanas da Smartmatic e que a CIA teria documentado possíveis fraudes naquele país. O senador, porém, não apresentou provas novas e ignorou os esclarecimentos oficiais do TSE, que já rejeitou categoricamente qualquer vínculo com a empresa venezuelana na fabricação ou programação das urnas.

O Tribunal Eleitoral já informou que as urnas eletrônicas brasileiras são desenvolvidas inteiramente pela Justiça Eleitoral, com software proprietário e sem qualquer acesso à internet. O sistema é criptografado e passível de auditoria, garantindo a segurança do processo. A Smartmatic, por sua vez, atuou apenas em serviços de suporte técnico nas eleições de 2014, sem qualquer envolvimento na programação dos equipamentos.

Reação do TSE e histórico de desmentidos

O TSE já se manifestou em nota oficial, qualificando como falsas as mensagens que associam a empresa Smartmatic ao fornecimento de urnas ou softwares no Brasil. O tribunal reafirmou que todo o projeto é de gestão exclusiva da Justiça Eleitoral. Em 2017, o TSE detalhou que a atuação da Smartmatic se limitou ao recrutamento e treinamento de profissionais para suporte operacional, sem acesso à programação das urnas.

Além disso, a empresa participou de licitação para fabricação de urnas neste ano, mas perdeu para a Positivo. Historicamente, as urnas brasileiras foram fornecidas por empresas como Unisys, Procomp, Diebold e Positivo, sem qualquer participação da Smartmatic na produção. A insistência de Flávio em repetir acusações já desmentidas levanta questionamentos sobre o impacto de sua fala no cenário internacional e na confiança no processo eleitoral brasileiro.

O contexto da reunião com diplomatas

O evento contou com representantes de quase 50 países e organizações internacionais, configurando uma plateia estratégica para o pré-candidato. Flávio aproveitou para defender maior transparência e pedir que os países enviassem observadores com conhecimento técnico em tecnologia eleitoral. Ele afirmou que o objetivo era garantir eleições mais seguras, mas suas declarações podem gerar desconfiança externa sobre o sistema brasileiro.

Especialistas apontam que o discurso de Flávio se alinha à retórica do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também questionou a confiabilidade das urnas. No entanto, o TSE e outras instituições reforçam que não há evidências de fraudes e que o sistema é robusto. A atitude do senador pode ser vista como uma tentativa de mobilizar a base eleitoral e gerar debate, mas corre o risco de desinformar o público internacional sobre a realidade das eleições no Brasil.

Próximos passos e impactos institucionais

A fala de Flávio ocorre em um momento de preparação para as eleições de 2026, e suas acusações podem influenciar a percepção de investidores e observadores estrangeiros. O TSE segue monitorando declarações que possam comprometer a credibilidade do processo eleitoral e já anunciou que continuará esclarecendo informações falsas. A discussão sobre segurança das urnas deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses.

Enquanto isso, a série Debatendo o Brasil segue com encontros de outros pré-candidatos com diplomatas. A iniciativa busca apresentar as propostas de cada um para o público internacional, mas também serve como palco para posicionamentos polêmicos, como o de Flávio. Resta saber como a comunidade diplomática reagirá às acusações e se novas medidas de transparência serão adotadas.