Pelo menos 14 estados podem encerrar a eleição para governador já no primeiro turno, no próximo domingo, enquanto 12 unidades da federação e o Distrito Federal aparecem com cenário mais propício a uma segunda votação, segundo levantamentos recentes das pesquisas Quaest e Datafolha reunidos pelo InfoMoney. O mapa das disputas estaduais mistura favoritos com vantagens confortáveis e um bloco de estados do Nordeste em que poucos pontos separam os principais concorrentes, configuração que comprime o espaço dos demais candidatos e concentra a atenção nos últimos dias de campanha.

A configuração interessa diretamente ao campo da política nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém no Nordeste seu principal reduto eleitoral e reforçou agendas na região na reta final, movimento que aliados locais tentam converter em mobilização das bases. Os levantamentos mais recentes foram feitos após os anúncios do Desenrola 3.0 e da proibição das bets, e em meio à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, e apontam empate técnico nos dois turnos da disputa presidencial — no maior colégio eleitoral, um levantamento Real Time indicou Flávio abrindo 7 pontos sobre Lula, enquanto a pesquisa Meio/Ideia mostrou os dois separados por 1 ponto no primeiro turno e por 0,5 ponto no segundo.

Nordeste reúne as disputas mais apertadas

Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) soma 42% das intenções de voto contra 40% do governador Jerônimo Rodrigues (PT), na medição da Quaest, numa distância que não supera a margem de erro. O candidato da oposição evita nacionalizar a campanha e trabalha para atrair eleitores que votam em Lula para presidente. O Ceará vive situação semelhante: Ciro Gomes (PSDB) aparece com 44% e Elmano de Freitas (PT) com 43%, segundo o Datafolha, em empate técnico na reta final.

Em Pernambuco, a Quaest divulgada na terça-feira (29) mostra João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) igualados em 42%; em um eventual segundo turno, os dois também aparecem com 44%. Alagoas completa o grupo de disputas nordestinas equilibradas, com JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB) concentrando a maior parte dos votos. Já o Piauí foge do padrão: Rafael Fonteles (PT) tem 55% contra 25% de Joel Rodrigues (PP), no Datafolha, um dos cenários mais confortáveis para encerrar a eleição no domingo.

Maranhão, Paraíba e Sergipe também figuram entre os estados com chance de definição no primeiro turno. No Rio Grande do Norte, porém, a fragmentação amplia a probabilidade de uma segunda votação: Allyson Bezerra (União Brasil) tem 39%, Cadu de Lula (PT) 21% e Álvaro Dias 18%.

Tarcísio abre vantagem folgada em São Paulo

Fora do Nordeste, vários governadores chegam ao fim da campanha com margens amplas. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) registra 44% contra 24% de Fernando Haddad (PT), conforme a Quaest divulgada na terça-feira; os demais candidatos somam 4%. Como o governador aparece numericamente acima da soma dos adversários, o levantamento sinaliza possibilidade de definição já no primeiro turno.

Jorginho Mello (PL) chega a 54% em Santa Catarina na Quaest, enquanto Eduardo Riedel (PP) tem 51% em Mato Grosso do Sul. Arthur Henrique (PL), em Roraima, e Dr. Furlan (PSD), no Amapá, também lideram com vantagem.

Minas, Rio e Paraná apontam para o segundo turno

Entre os maiores colégios eleitorais, Minas Gerais segue com cenário mais favorável a uma segunda votação. Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera a Quaest com 37%, enquanto Patrus Ananias (PT) tem 18%, Alexandre Kalil (PDT) 9%, Mateus Simões (PSD) 6% e Flávio Roscoe (PL) 5%. O Datafolha também mostra Cleitinho à frente, com 40%, mas a soma dos demais candidatos e o volume de indecisos ainda abrem espaço para um segundo turno.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) mantém a liderança, mas viu Douglas Ruas (PL) crescer: a Quaest mais recente aponta 34% para Paes, 25% para Ruas e 9% para Anthony Garotinho (Republicanos), com 14% de indecisos. No Paraná, Sergio Moro lidera com 36%, enquanto Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) aparecem empatados com 20%, mantendo aberta a disputa pela segunda vaga. Rio Grande do Sul e Distrito Federal também estão entre as unidades sem desfecho claro — no DF, Celina Leão (PP) lidera, mas a disputa é influenciada pelo caso BRB-Master e pela pressão crescente dos adversários.

Além dos estados com chance de definição imediata, outras 12 unidades e o Distrito Federal aparecem com maior probabilidade de levar a eleição ao segundo turno. A rodada tem ainda uma particularidade: 11 governadores assumiram os cargos após renúncias ou cassações dos titulares, e dez disputam a reeleição — seis deles lideram as pesquisas. Entre os que aparecem atrás estão Mateus Simões, em Minas Gerais; Roberto Cidade, no Amazonas; Hana Ghassan, no Pará; e Soldado Sampaio, em Roraima. Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, Celina Leão (PP), no Distrito Federal, Mailza Assis (PP), no Acre, e Daniel Vilela (MDB), em Goiás, estão na frente. Em Mato Grosso e no Espírito Santo, Otaviano Pivetta (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) lideram numericamente, mas a diferença para os principais concorrentes cabe na margem de erro.