A corrida pelo comando dos cinco estados de maior peso eleitoral do Brasil chega à reta final com desenhos políticos que não seguem um padrão único, segundo levantamentos compilados pelo InfoMoney. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná concentram disputas que, em alguns casos, reproduzem a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas em outros embaralham esse eixo por meio de alianças locais e candidaturas de perfil próprio.

O quadro geral mostra que os palanques presidenciais têm pesos distintos em cada unidade. Há praças em que os dois campos aparecem de forma explícita, enquanto em outras surgem terceiros polos ou o chamado voto cruzado, fator capaz de interferir tanto nas eleições estaduais quanto no xadrez da política nacional.

São Paulo e Rio têm palanques espelhados

Em São Paulo, a disputa é a mais diretamente colada à eleição presidencial. Tarcísio de Freitas busca a reeleição respaldado por Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, enquanto Fernando Haddad, que já comandou a Prefeitura da capital e o Ministério da Fazenda, é o nome apoiado por Lula. Levantamento da Quaest de 29 de setembro apontou o governador com 44%, contra 24% do adversário petista; os demais candidatos somaram 4%, os indecisos ficaram em 16% e 12% sinalizaram intenção de anular, votar em branco ou não comparecer.

Outros institutos trouxeram números diferentes, mas mantiveram Tarcísio numericamente à frente. Real Time Big Data e AtlasIntel, por exemplo, mostraram o governador acima dos 50% na reta final. O paulista ainda admitiu que, encerrada a própria disputa, poderia entrar na campanha de Flávio em outros estados em um eventual segundo turno.

No Rio de Janeiro, os palanques também estão definidos: Lula apoia Eduardo Paes, e Flávio tem em Douglas Ruas, do PL, seu candidato ao governo. A Quaest de 29 de setembro colocou Paes com 34% e Ruas com 25%, com oscilação de três pontos. Anthony Garotinho, do Republicanos, cuja candidatura foi indeferida pelo TRE-RJ e ainda dependia de recursos, aparecia com 9%.

O Datafolha de 28 de setembro registrou percentuais maiores para os dois principais nomes: Paes com 43% e Ruas com 30%. Em agosto, o candidato do PL tinha 19%, o que indica avanço ao longo da campanha. Paes mantém proximidade política com Lula, mas administra essa relação em um estado onde o bolsonarismo tem peso eleitoral relevante, concentrando grande parte dos eleitores alinhados ao PT, enquanto Ruas cresceu entre os eleitores de Flávio.

Minas e Bahia expõem alianças fragmentadas

Minas Gerais apresenta a configuração mais complexa. A Quaest de 29 de setembro mostrou Cleitinho Azevedo com 37%, seguido por Patrus Ananias, do PT, com 18%, e Alexandre Kalil, do PDT, com 9%. Mateus Simões, do PSD, e Flávio Roscoe, do PL, também disputam o cargo. Lula apoia Patrus, que já foi prefeito de Belo Horizonte e ministro em governos petistas e funciona como o palanque formal do presidente no estado.

Flávio Bolsonaro formalizou apoio a Flávio Roscoe, nome de seu próprio partido. O cenário, no entanto, é menos linear porque Cleitinho reúne fatia relevante do eleitorado presidencial do senador. O Datafolha mostrou que, entre os eleitores do líder das pesquisas, 59% declaravam voto em Flávio para presidente e 22% em Lula. Já entre os eleitores de Patrus, 87% escolhiam Lula. Durante a campanha, o bolsonarismo discutiu uma aproximação com Cleitinho, mas, na propaganda eleitoral, Roscoe manteve alinhamento ao campo bolsonarista, enquanto Cleitinho preservou maior autonomia.

Na Bahia está a disputa mais equilibrada entre os cinco estados. A Quaest de 24 de setembro mostrou ACM Neto com 42% e o governador Jerônimo Rodrigues com 40%, em empate técnico considerando a oscilação de três pontos. Em simulação de segundo turno, Neto tinha 45% e Jerônimo, 43%, também em intervalo apertado.

Jerônimo é um dos principais candidatos estaduais apoiados por Lula, que participou da campanha baiana, pediu votos ao governador e criticou diretamente o adversário na reta final. A relação de ACM Neto com a corrida presidencial é mais intricada: Flávio Bolsonaro colocou o baiano na lista de candidatos estaduais que respalda, mas Neto anunciou que vota em Ronaldo Caiado, do PSD, para presidente e negou aliança formal com o senador. Esse arranjo abriu espaço para o voto cruzado no estado, movimento que a campanha de Jerônimo tenta reduzir ao vincular a disputa estadual à presidencial.

Paraná tem três polos na disputa

No Paraná, o senador Sergio Moro aparece numericamente à frente. A Quaest de 24 de setembro mostrou o candidato do PL com 36%, enquanto Requião Filho e Sandro Alex estavam empatados, com 20% cada. Flávio Bolsonaro apoia Moro, que ingressou no PL e se tornou o nome de maior peso do partido no estado. Lula apoia Requião Filho; o PT desistiu de lançar nome próprio ao governo e fechou aliança com o PDT para oferecer ao presidente um palanque no estado.

Há ainda um terceiro polo de peso. Sandro Alex é o candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior, do PSD, que registra elevada aprovação à frente do estado. Alex anunciou que vota em Ronaldo Caiado para presidente, embora sua coalizão reúna políticos que apoiam Flávio.

O desenho desses cinco estados revela que a polarização presidencial não se reproduz de forma uniforme nas eleições estaduais. Em São Paulo e no Rio, Lula e Flávio têm candidatos claramente identificados com seus campos. No Paraná, ambos também possuem palanques definidos, mas a presença de Sandro Alex cria um terceiro eixo ligado ao PSD. Na Bahia, o presidente está diretamente envolvido na campanha de Jerônimo, enquanto ACM Neto preserva apoio a Caiado apesar do respaldo de Flávio. Em Minas, Lula tem Patrus como candidato formal e Flávio apoia Roscoe, embora Cleitinho concentre a maior fatia do eleitorado bolsonarista e lidere as pesquisas.