Deputados governistas vão a Washington rebater direita
Deputados governistas vão a Washington rebater direita

Um grupo de quatro deputados federais governistas viajou a Washington entre os dias 3 e 5 de junho para apresentar um contraponto direto às narrativas da direita brasileira junto a instituições e parlamentares americanos. A missão, formada por Pedro Uczai (PT/SC), Jandira Feghalli (PcdoB/RJ), Pedro Campos (PSB/PE) e André Janones (REDE/MG), representa 114 deputados de suas respectivas bancadas.

Três eixos centrais da missão em Washington

A delegação estruturou sua atuação em torno de três objetivos principais: reafirmar a soberania brasileira em sua economia, democracia e política; entregar documentos formais a parlamentares e instituições americanas; e contestar as tarifas impostas ao Brasil, incluindo as medidas sobre o Pix, que os deputados consideram sem base técnica ou jurídica.

Segundo Feghalli, um dos documentos entregues solicita cooperação — e não intervenção — no combate ao crime organizado, abrangendo tráfico de armas, drogas, monitoramento de recursos financeiros e outras pautas já demandadas pelo governo brasileiro. Um segundo documento contesta, com argumentação de especialistas em economia, as tarifas americanas, classificando-as como motivadas por razões políticas.

Pix como soberania financeira nacional

O tema do Pix ocupou posição de destaque nas reuniões. A delegação deixou claro que o Brasil não aceitará qualquer intervenção que inviabilize, fragilize ou dificulte o uso do sistema de pagamentos instantâneos. Feghalli descreveu o Pix como «uma soberania financeira do povo brasileiro e uma ferramenta moderna para transações financeiras gratuitas, transparentes e lícitas».

O contexto é relevante: o governo americano chegou a mencionar o Pix em discussões sobre tarifas e regulação financeira, o que gerou reação imediata do Executivo e do Legislativo brasileiros. A pauta econômica tornou-se, assim, parte central da agenda diplomática parlamentar.

OEA e o alerta sobre o ano eleitoral

Na Organização dos Estados Americanos (OEA), a missão abordou o cenário do ano eleitoral brasileiro. Os parlamentares alertaram sobre riscos de intervenção direta dos Estados Unidos, crimes no ambiente digital e violência política — física, de gênero e geral.

A delegação solicitou formalmente o acompanhamento e observação da OEA, não apenas por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas também da Secretaria de Fortalecimento da Democracia, cujo observatório eleitoral já havia sido acionado pelo governo brasileiro para monitorar as eleições.

Recepção americana e próximos passos

Conforme relatado por Feghalli, parlamentares americanos demonstraram sensibilidade aos temas apresentados e muitos se comprometeram a tomar iniciativas relacionadas às pautas discutidas. A delegação encerrou a missão com avaliação positiva da produtividade das reuniões e anunciou que acompanhará os desdobramentos das conversas iniciadas em Washington.