
O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou nesta segunda-feira (17), no primeiro dia oficial da campanha eleitoral, que o Brasil vive, na prática, um sistema parlamentarista de governo e defendeu a criação do cargo de primeiro-ministro, citando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como exemplo de perfil adequado para a função.
Em entrevista ao Portal Metrópoles, Cury argumentou que o presidencialismo atual concentra atribuições excessivas no presidente, que precisaria atuar em áreas como economia, política externa e uma série de problemas cotidianos. Para ele, países que se desenvolveram adotam sistemas semipresidencialistas, com um chefe de Estado e um primeiro-ministro, ou parlamentaristas de fato.
Articulação com o Congresso
A declaração foi dada após o candidato ser questionado sobre como articularia com o Congresso Nacional a aprovação das medidas propostas em seu plano de governo. O Avante tem baixa representatividade no parlamento, com cinco deputados federais e um senador.
Cury afirmou que o Brasil já é parlamentarista de fato, mas não de direito, e que o parlamento já detém grande poder. Na sua avaliação, esse poder deveria vir acompanhado da responsabilidade de chancelar um primeiro-ministro, que conduziria a gestão do país. A proposta também transferiria ao Congresso a responsabilidade sobre o orçamento, que hoje já conta com forte participação decisória de deputados e senadores por meio de emendas parlamentares.
O candidato defendeu que o primeiro-ministro administraria o orçamento com indicadores de eficiência. Segundo ele, um primeiro-ministro impopular, corrupto ou ineficiente poderia ser destituído sem os traumas de um processo de impeachment presidencial.
Pacto nacional
Cury também elogiou o governador Tarcísio de Freitas e afirmou que o país precisaria de alguém do nível dele para ocupar o posto de primeiro-ministro, enquanto o presidente concentraria esforços em áreas estratégicas, como Forças Armadas e política externa.
O candidato ainda disse que, caso vença a disputa, pretende firmar um grande pacto nacional, com a participação de outros agentes da política e de adversários na atual campanha, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).





