O jornal britânico Financial Times publicou no domingo (13) uma reportagem na qual sustenta que a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal pode ter efeito determinante sobre o resultado da eleição presidencial do mês que vem. O material foi divulgado pelo G1 e aponta que o cenário projeta incerteza sobre a corrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com o texto, a corte vive um confronto acirrado entre Alexandre de Moraes e o também ministro André Mendonça, quadro que vem ofuscando o debate eleitoral. O agregador de pesquisas da BBC News Brasil, citado na reportagem, indica empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma disputa de segundo turno.
O que o caso Banco Master acrescenta à corrida eleitoral
O diário britânico observa que Lula não foi acusado no caso Banco Master, mas o tema toca um ponto sensível para o presidente, que já esteve preso por corrupção em condenações anuladas depois.
Flávio Bolsonaro aparece citado no caso, que é objeto de inquérito no Supremo. As referências ao senador surgiram em maio, quando vieram à tona relatos de que ele solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do filme Dark Horse. O parlamentar declarou que o pedido não foi ilegal.
Apesar das revelações, nas últimas semanas o senador encurtou a distância nas pesquisas e chegou a um empate técnico com o presidente, que disputa um quarto mandato não consecutivo.
Pedido de destituição e a leitura dos analistas
Conforme o Financial Times, Flávio Bolsonaro tem tentado extrair ganho político do episódio e voltou a exigir a destituição de Moraes, o ministro que condenou seu pai. Em encontro com apoiadores na semana passada, o senador afirmou: “Um voto em Lula é um voto em Moraes”.
Analistas ouvidos pelo jornal avaliam que a crise tende a prejudicar Lula na disputa. Um deles afirma que parte do eleitorado brasileiro enxerga algum grau de alinhamento entre Moraes e o governo. O episódio, segundo o diário, também deu novo impulso à direita, que acusa o ministro de perseguir conservadores de forma injusta e de limitar a liberdade de expressão.
A reportagem destaca ainda que o caso abalou a credibilidade de uma corte que ganhou reconhecimento internacional por defender o Brasil de uma tentativa de golpe militar de Jair Bolsonaro depois que ele perdeu a eleição para Lula, em 2022.
Para o Financial Times, o episódio deixou o tribunal próximo de um colapso institucional e fortaleceu apelos por reforma do Judiciário, discussão que agora se mistura ao calendário eleitoral do mês que vem.





