O senador Cleitinho Azevedo voltou oficialmente à disputa pelo governo de Minas Gerais. A confirmação ocorreu após uma sequência de reviravoltas que começou com a desistência do nome, passou por um apelo público e terminou com a reversão de um veto da cúpula nacional do Republicanos. A decisão recoloca na corrida eleitoral o político que liderava os cenários mais recentes do levantamento Genial/Quaest conhecido ao final de julho e reconfigura a disputa pelo eleitorado de direita no estado. O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos, foi escolhido para compor a chapa como candidato a vice.

Uma crise de cinco dias: da desistência ao retorno

A desistência anunciada na segunda-feira, dia 3, foi atribuída ao momento familiar do senador após a morte do irmão, Matheus Azevedo, ocorrida em 18 de julho. Cleitinho disse que estava vivendo um período de vulnerabilidade e que a decisão de abandonar a candidatura foi tomada sob forte abalo emocional. Na ocasião, ele citou o luto como justificativa para deixar a corrida.

No dia seguinte, durante a convenção nacional do Republicanos, o senador mudou de posição e fez um apelo público a Marcos Pereira, presidente nacional da legenda, para que fosse reincluído na disputa. Cleitinho argumentou, em tom contundente, que não decepcionaria o partido e que erros dessa natureza fazem parte do jogo político, questionando quem nunca recuou ou voltou atrás em uma decisão. A fala foi interpretada como uma tentativa de reverter a decisão na frente do diretório nacional.

Naquele momento, Marcos Pereira recusou o pedido. Ele afirmou que a decisão já estava tomada e criticou a instabilidade em torno da candidatura, sinalizando constrangimento interno com o vai e vem.

O acordo que destravou o nome

A virada ocorreu depois de uma reunião em São Paulo entre Cleitinho, Marcos Pereira e o presidente do Republicanos em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen. O encontro foi decisivo para reabrir a negociação que parecia encerrada. Nos bastidores, o partido voltou a avaliar o peso eleitoral do senador nas pesquisas e decidiu confirmar o nome, selando a candidatura com Falcão na vice.

O movimento revela um partido em modo de contenção de danos. Após o desgaste público do veto, a cúpula nacional encontrou no acordo uma saída para reduzir o racha interno e preservar a competitividade em Minas. Ao recolocar Cleitinho no palanque, a legenda evita começar a campanha com o principal nome rejeitado e mantém viva a expectativa de crescimento no estado.

Efeitos na disputa pela direita em Minas

A volta de Cleitinho altera novamente o tabuleiro eleitoral mineiro. Antes da desistência, ele liderava as sondagens da Genial/Quaest divulgadas no fim de julho, o que o transformava no principal nome da direita na disputa. Sua ausência temporária provocou um rearranjo imediato: o PL, que aguardava o desfecho, lançou no último dia das convenções Flávio Roscoe ao governo, com Charlles Evangelista como vice.

O nome de Roscoe era defendido pelo deputado federal Nikolas Ferreira, uma das lideranças do PL em Minas. Com a volta de Cleitinho, os dois passam a dividir o mesmo eleitorado, criando um cenário de competição direta entre Republicanos e PL pela base conservadora do estado. A fragmentação pode beneficiar outras candidaturas, mas também recoloca no centro da disputa um político já testado nas pesquisas. A definição do Republicanos, portanto, mexe não apenas na chapa do partido, mas no equilíbrio de forças de toda a eleição estadual.