O g1 reuniu as propostas econômicas dos candidatos à Presidência e mostrou que os planos divergem em temas como apostas online, contas públicas e endividamento das famílias. A comparação, publicada em 4 de outubro de 2026, foi feita a partir dos documentos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os nomes analisados estão Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Em alguns pontos, a publicação também cita Renan Santos, do Partido Missão. A comparação inclui cinco frentes econômicas: contas públicas, juros, produtividade, crescimento e dívidas das famílias.
Apostas online
No caso das bets, o governo Lula apresentou em setembro uma MP para banir apostas de quota fixa, cassinos virtuais e jogos online, dentro do pacote contra o superendividamento. A medida ainda precisa ser analisada pelo Congresso. Um estudo do Comsefaz calculou em R$ 62,5 bilhões o valor que as apostas tiraram do bolso das famílias em 2025. Já a arrecadação sobre o setor somou R$ 15,3 bilhões desde o começo daquele ano. Entidades do ramo contestam a proibição e afirmam que ela pode empurrar usuários para plataformas clandestinas.
Nas propostas, Lula defende controlar o endividamento ligado às apostas, endurecer regras de crédito e ampliar o atendimento em saúde mental. Flávio Bolsonaro quer barrar o uso de recursos de programas sociais em apostas e fazer campanhas de orientação financeira pela Caixa. Caiado propõe vetar publicidade, impor teto de gastos e tratar jogo compulsivo. Cury e Zema não citam bets diretamente, segundo o g1. O plano de Cury, porém, aborda vício digital, redes e games, além de propor educação para cidadania online e controle emocional nas escolas. Renan Santos também não menciona apostas.
Contas públicas e dívida
Na área fiscal, a publicação destaca que o desequilíbrio das contas pressiona a dívida e os juros. O setor público consolidado registrou saldo primário negativo de R$ 10 bilhões em agosto, e o déficit no acumulado até agosto foi de R$ 88,9 bilhões. A dívida pública ficou em 82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,05 trilhões, patamar que não era visto desde março de 2021. Considerando os juros, o déficit em 12 meses até agosto chegou a R$ 1,26 trilhão, ou 9,48% do PIB; os juros somaram R$ 1,18 trilhão.
Segundo Gabriel Uarian, da Cultura Capital, quem assumir o Palácio do Planalto terá de lidar com gastos rígidos — Previdência, folha salarial e benefícios sociais — para obter saldos positivos. Sem plano claro, diz ele, o mercado mantém juros longos elevados, o que dificulta a queda da Selic e pressiona o crescimento. As propostas variam: Lula defende manter o Novo Arcabouço Fiscal e preservar saúde, educação e proteção social; Lula também propõe melhorar eficiência dos gastos, revisar benefícios fiscais e aumentar tributos sobre os mais ricos; Flávio Bolsonaro propõe novas regras fiscais e teto para que o gasto não supere a arrecadação; Cury quer reduzir o déficit perto de zero e usar inteligência artificial contra fraudes; Caiado fala em estabilizar a dívida sem aumentar impostos e quer teto para gastos rígidos e reavaliação de subsídios e renúncias tributárias; Zema defende redução ampla de despesas, reforma da Previdência e privatizações, além de revisar emendas parlamentares, fazer reforma administrativa, ampliar parcerias com o setor privado e vender imóveis federais sem uso. Renan Santos rejeita o arcabouço vigente e apresenta uma PEC de Equilíbrio Fiscal cuja economia estimada chega a R$ 1,1 trilhão até 2031.
No endividamento das famílias, a CNC apontou que 82% dos consumidores possuíam alguma dívida a vencer em julho, o maior contingente da série da entidade. A inadimplência também segue elevada. A taxa média nas operações de crédito passou de 4,9% em julho para 5% em agosto, conforme o Banco Central, no maior patamar da série revisada, que começa em março de 2011.





