O presidente chinês Xi Jinping utilizou o conceito da “Armadilha de Tucídides” durante encontro com Donald Trump em Pequim, nesta quinta-feira (14), para questionar publicamente se Estados Unidos e China conseguiriam evitar um conflito direto entre potências — um alerta histórico embalado em linguagem diplomática.

O que é a Armadilha de Tucídides

O termo foi popularizado pelo cientista político americano Graham Allison e descreve a tendência histórica de guerras quando uma potência emergente ameaça substituir uma potência dominante. O conceito remete ao historiador grego Tucídides, que analisou o conflito entre Atenas e Esparta na Grécia Antiga.

Dos 16 casos históricos mapeados por Allison em que uma potência desafiante enfrentou uma dominante, 12 resultaram em guerra. Xi escolheu essa referência de forma deliberada — e o simbolismo não passou despercebido.

Xi e Trump no Templo do Céu

A cena foi igualmente carregada de significado: Xi e Trump visitaram juntos o Templo do Céu, em Pequim, em um gesto de aproximação protocolar. A reunião ocorre em meio a tensões comerciais e disputas geopolíticas que marcaram os primeiros meses do segundo mandato de Trump.

Ao evocar a armadilha, Xi defendeu a estabilidade nas relações entre Washington e Pequim. A mensagem implícita: os dois países precisam construir mecanismos para evitar que a rivalidade estrutural descambe para o confronto aberto.

Contexto geopolítico e mercados

O encontro acontece em um momento delicado. A guerra tarifária entre os dois países gerou turbulências significativas nos mercados globais ao longo de 2025 e início de 2026. Analistas de macroeconomia apontam que qualquer escalada nas tensões sino-americanas tem impacto direto em cadeias de suprimento, fluxos de capital e preços de ativos em todo o mundo.

A visita de Trump à China é interpretada por parte do mercado como sinal de desescalada tática — mas sem garantias de avanços estruturais nas negociações comerciais.

O peso da escolha conceitual de Xi

Líderes chineses raramente utilizam referências acadêmicas ocidentais em pronunciamentos diplomáticos de alto nível. A escolha da Armadilha de Tucídides por Xi é, portanto, uma mensagem calculada: reconhece a tensão estrutural, mas sinaliza preferência pela gestão pacífica do conflito de interesses.

A questão central permanece em aberto — e foi o próprio Xi quem a colocou na mesa: EUA e China são capazes de escapar do padrão histórico que levou outras grandes potências à guerra?