Fachada do Pentágono em Washington com bandeira americana ao fundo
Fachada do Pentágono em Washington com bandeira americana ao fundo

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elevou seu nível de alerta de contrainteligência relacionado a Israel de ‘alto’ para ‘crítico’ — a classificação mais severa da escala americana — em meio a suspeitas de que serviços secretos israelenses estejam monitorando integrantes do governo Trump. A informação foi publicada neste sábado, 6 de junho, pelo The New York Times, com base em documentos internos da Agência de Inteligência de Defesa (DIA).

O que os documentos revelam

Segundo o NYT, os registros internos da DIA indicam que Israel teria intensificado esforços para obter informações sobre discussões estratégicas dentro da administração americana. O foco central seria a posição de Washington nas negociações ligadas ao conflito com o Irã e a possíveis acordos para redução de tensões no Oriente Médio.

Entre os alvos supostamente monitorados estariam Steve Witkoff, principal negociador da Casa Branca para assuntos internacionais, e Elbridge Colby, responsável por políticas estratégicas no Pentágono. Parte das vulnerabilidades exploradas estaria associada ao uso de telefones pessoais e aeronaves privadas por essas autoridades para tratar de temas de segurança nacional.

Divergências que explicam o contexto

As alegações emergem em um momento de tensão diplomática entre os dois aliados históricos. Enquanto Trump busca avanços negociados para encerrar os conflitos regionais, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem defendido postura mais confrontacional contra o Irã e seus aliados no Oriente Médio.

Essa divergência estratégica explica o interesse israelense em acompanhar de perto os movimentos de Washington — especialmente em um cenário em que qualquer acordo com Teerã poderia alterar radicalmente o equilíbrio de forças na região. Para entender o peso geopolítico dessas tensões no cenário global, acompanhe nossa cobertura em exterior.

Negativas de ambos os lados

A Casa Branca reagiu de forma categórica, classificando a reportagem como falsa. Porta-vozes do governo americano contestaram as conclusões apresentadas pelo jornal e negaram que o cenário descrito corresponda à realidade.

A Embaixada de Israel em Washington também emitiu nota de negação. «Israel não coleta informações sobre entidades dos Estados Unidos. Nossos esforços de inteligência são direcionados a nossos adversários, não aos nossos aliados», afirmou o texto oficial da embaixada.

Impacto e desdobramentos

A elevação do alerta para o nível ‘crítico’ é uma medida de peso institucional rara. Isso implica revisão de protocolos de segurança, restrição de acesso a informações sensíveis e, potencialmente, revisão das práticas de comunicação de altos funcionários americanos em contato com contrapartes israelenses.

O episódio acontece em semana de intensa movimentação diplomática na região, com negociações em curso sobre o cessar-fogo em Gaza e o dossier nuclear iraniano. Qualquer deterioração na relação de inteligência entre Washington e Tel Aviv tende a impactar diretamente a cadência dessas conversas.