A escritora branca e terapeuta Tânia Nienkötter Rocha, a Tania Rocha, virou alvo de repercussão nas redes sociais após publicar vídeos com xingamentos racistas contra um piloto negro da Latam. O caso começou quando ela foi orientada a deixar um voo que ligaria Florianópolis (SC) a Guarulhos (SP), na semana passada, por causa das dimensões da caixa de transporte de seu cachorro.
As postagens não estão mais disponíveis no perfil original da escritora, mas continuam repercutindo na internet. Nos vídeos, Tania chama o comandante de “negro de merda” e fala em ter sofrido “racismo ao contrário”. “Eu não sei se é porque ele é negro e eu sou loira e aí existe um racismo ao contrário”, diz em um trecho.
A passageira, que tem mais de 200 mil seguidores no Instagram, também nega ser racista e promete processar o piloto. “Negro racista de merda. Vocês acham que não existe racismo ao contrário? Eu, com ato de racismo? Vou te processar”, afirma em outro momento, acrescentando que escreve livros na defesa de “mulheres, dos mais fracos, dos brancos, negros, índios, de qualquer pessoa”.
O que ocorreu com a caixa de transporte
De acordo com o relato da escritora, ela recebeu da companhia as dimensões permitidas para o animal viajar na cabine e levou uma caixa cinco centímetros menor do que o limite. Já dentro da aeronave, parte do recipiente teria ultrapassado o espaço sob o assento, e ela cita “dois dedinhos” para fora. O piloto considerou a situação um risco e determinou a saída dela do voo.
A Latam possui regras específicas para o transporte de pets na cabine. Além das dimensões da caixa, o animal precisa conseguir ficar em pé, se movimentar e girar naturalmente dentro do recipiente. Animais que não atendam às exigências não podem viajar na cabine.
Repercussão e posicionamento da Latam
A escritora preferiu não conceder entrevista e afirmou, por meio de sua assistente, estar “chocada” com o que classificou como “agressividade” do piloto. Ela prometeu ir à Justiça contra o comandante.
A Latam repudiou veementemente toda prática discriminatória, incluindo crimes de racismo, e se colocou à disposição das autoridades para auxiliar na apuração do caso. Em nota, a companhia afirmou que dará total assistência ao piloto, descrito como “gravemente ofendido em sua honra, no exercício de suas funções”. A empresa acrescentou que as medidas para transporte de pets têm como objetivo o bem-estar e a saúde dos animais, além da segurança do voo.
Embora Tania fale em “racismo ao contrário”, a tese de “racismo reverso” já foi rejeitada pelo STJ.





