sábado, 27 de novembro de 2021
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SEMANA: Disputas comercial e geopolítica trazem pessimismo aos mercados mundiais

13 maio 2019 - 09h31Por Investing.com
Investing.com - A economia internacional e a geopolítica influenciaram na aversão ao risco que dominou os mercados no exterior esta semana, com o Ibovespa seguindo a onda de pessimismo global. A renovação da disputa comercial entre EUA e China, a intensificação das hostilidades entre EUA e Irã e a provocação da Coreia do Norte com um novo teste de lançamento de míssil na Ásia promoveram uma reavaliação do prêmio de risco, derrubando as principais bolsas mundiais. No Brasil, a boa temporada de balanços até aqui arrefeceu as perdas do Ibovespa, apesar de os resultados corporativos na sexta-feira tenham decepcionado. Divulgaram resultado na semana Petrobras (SA:PETR4), Vale (SA:VALE3), Magazine Luiza (SA:MGLU3), Grupo Pão de Açúcar (SA:PCAR4), BRF (SA:BRFS3), Cyrela (SA:CYRE3), B3 (SA:B3SA3), Banco do Brasil (SA:BBAS3), entre outras.

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A tramitação da reforma da Previdência relativamente menos tumultuada na Comissão Especial na Câmara também diminuiu a queda do Ibovespa. A Comissão já definiu o cronograma de trabalho até o fim de maio, mas há acerto para que ela trabalhe até 15/6, o que dificilmente levará a plenário a votação da reforma. No caso da Previdência, continua preocupando os investidores a desidratação da proposta original do governo de uma economia de R$ 1,2 trilhão em 10 anos. É praticamente certa a saída de aposentadoria rural, BPC e professores do texto e dificilmente a capitalização será incluída. A dificuldade do governo de articular uma base aliada no Congresso para defesa de seus interesses continua, desta vez em pautas relacionadas à reforma administrativa que reduziu o número de ministérios e em quais pastas algumas autarquias ficariam abrigadas. O Coaf, que iria para o Ministério da Justiça de Sergio Moro, foi vetado pela Comissão Especial mista que avalia a reforma administrativa. Além disso, pouco animou os partidos do Centrão a criação de dois ministérios para abrigar deputados do bloco. O Ibovespa acumulou queda de 1,8% na semana, com apenas a sessão de quarta-feira que fechou em alta, graças a uma participação tranquila do ministro da Economia Paulo Guedes na Comissão Especial, que foi protegido por deputados da base do governo. Também influenciou o bom humor no pregão de quarta-feira a divulgação de resultados corporativos, como Vale e Gerdau (SA:GGBR4). Na sexta-feira, o principal índice acionário brasileiro caiu 0,58% a 94.257,56 pontos, após momentos do pregão ficar abaixo dos 94 mil pontos. Já o dólaracumulou uma leve alta em relação ao real nesta semana, subindo 0,2425% a R$ 3,9479, também monitorando a disputa comercial EUA e China. A moeda americana se atingiu os R$ 4,00 na sessão de terça-feira, quando atingiu o fechamento mais elevado a R$ 3,97. No dia seguinte, ocorreu o fechamento de menor valor, a R$ 3,9285, também influenciado com o bom humor dos investidores com o desempenho de Guedes no Congresso. O fechamento praticamente estável do par USD/BRL foi um reflexo da pequena queda do índice dólar, que mede a força da moeda americana a partir de uma média ponderada da cotação de seis divisas. O índice caiu 0,23% a 97,33 na semana devido à valorização do iene em relação ao dólar. Em tempos de turbulência, a demanda pela moeda americana geralmente cresce por ser um ativo seguro. O iene, divisa japonesa, desempenha esse papel na Ásia, levando investidores a se refugiarem na moeda japonesa, que se valorizou de 0,24% ante o dólar durante a semana, com os maiores ganhos ocorrendo na terça-feira. Outros indicadores mensuraram o quadro de incerteza promovido pelo presidente Donald Trump em um tweet no domingo. O rendimento do título de 10 anos teve uma queda acumulada de 2,4%, com os investidores buscando refúgio nos títulos públicos americanos, um dos ativos mais seguros. O rendimento cai à medida que a demanda cresce, pois seu preço fica mais caro e o prêmio (yield) por carregá-lo diminuiu, e vice-versa. O índice VIX também foi outro instrumento que retratou a reprecificação dos ativos na semana. Conhecido como índice do medo, por ser um termômetro em relação ao sentimento de risco dos investidores, o VIX teve uma alta acumulada de 24,63%, o que representa a tendência de mais volatilidade no mercado e aversão ao risco. Somente na segunda e terça-feira, houve uma alta acumulada de 60%. Porém, na sexta-feira, com as negociações entre representantes de alto nível dos governos americano e chinês entrando no segundo dia e a entrada em vigor da elevação das tarifas de 10% para 25% em US$ 200 bilhões em importações chinesas pelos EUA, o índice teve uma queda de 16,02%. Os principais índices acionários dos EUA encerraram no negativo de segunda a quinta. Abriram a sexta-feira em baixa, mas reverteram o quadro na sexta-feira, com Dow Jones subindo 0,46%, Nasdaq com ganhos de 0,08% e S%P 500 em alta de 0,37%. No acumulado da semana, Dow Jones perdeu 2,1%, Nasdaq desabou 3,03% e o S&P 500 teve perdas de 2,18%. EUA-China O presidente dos EUA Donald Trump terminou no domingo a trégua da disputa comercial acordada com os chineses no fim de 2018, quando iniciou as rodadas de negociação em busca de um acordo. Trump ameaçou que elevaria as tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses na sexta-feira, dado que, informalmente, os representantes americanos informariam o presidente a respeito de haver um acordo ou não. As tarifas foram efetivamente aumentadas na sexta-feira, com Trump ameaçando sobretaxar outros US$ 325 bilhões de produtos chineses. A retirada das novas tarifas aconteceria se os chineses “assumissem seus compromissos e não prejudicassem os trabalhadores americanos”, segundo Trump. Apesar de ter tido especulação que os chineses não participariam, houve uma nova rodada de negociações entre os dois países em Washington na semana, inclusive com a participação do vice-primeiro-ministro Liu He. O Global Times, publicação ligada ao Partido Comunista da China, afirmou que haverá nova rodada de conversas nas próximas semanas. O retrocesso em alguns pontos do acordo tenha enfurecido Trump e membros de sua administração, segundo fontes consultadas. Há divergências em relação à proteção de propriedade intelectual de empresas americanas, transferência automática de tecnologia de empresas instaladas em território chinês às companhias chinesas e inserçao de mecanismo jurídicos para o cumprimento do acordo na legislação chinesa. Irã e petróleo O Irã afirmou que vai retomar parte do seu programa nuclear como resposta às sanções dos EUA contra o país. O país dos aiatolás vai deixar de cumprir medidas do acordo nuclear assinado por EUA, França, Inglaterra, Rússia e Alemanha que se dispôs voluntariamente a cumprir. Em relação às outras partes do acordo, o Irã cobrou os países europeus a pressionar os EUA a retirar as sanções contra o país. Caso contrário, vai retomar o enriquecimento de urânio. Os europeus responderam e exigiram que os iranianos cumpram acordo. O governo americano se dispôs a conversar e não descartou intervenção militar para solucionar o impasse. Os iranianos recusaram o diálogo e reivindicaram o cumprimento do acordo nuclear, que os EUA se retiraram no início do governo Trump. A questão geopolítica envolvendo o Irã é um dos fatores de pressão para aumento do preço do petróleo. No entanto, a probabilidade de haver desaceleração econômica como decorrência da guerra comercial projeta uma demanda menor para a commodity, avaliação que predominou na formação de preço futuro, que fechou em baixa na semana em Nova York, mas alta em Londres. O WTIteve uma baixa acumulada de 0,34% a US$ 61,73. O Brent subiu 1,9% a US$ 70,80.
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