segunda, 29 de novembro de 2021
O passo-a-passo realista de organização finan

Não espere o bolso apertar para se organizar

13 agosto 2020 - 16h52Por Juliana Chini
Era uma tarde úmida de verão. Caminho entre as filas do Poupatempo e o celular toca: 
  • “Juh, parabéns”, diz um amigo.
  • “Parabéns?”, indago.
  • “Sim, você passou na USP”. 
Entre a surpresa do momento e algumas lágrimas em plena estação da Sé, lembro de ter olhado para minha mãe e dito: “mãe, eu vou ser rica”. “Eu conto ou vocês contam?” Entrar em um curso com 100% de empregabilidade, no qual as empresas buscavam os talentos, parecia um plano de carreira ascendente, não fossem as crises econômicas e as transformações no mercado de trabalho que aconteceriam posteriormente.  O aprendizado que eu tive desde esse dia, e que foi reforçado em 2020 com a pandemia, é que não importa o quão confortável e próspera seja a sua situação, esteja sempre preparado para uma crise. Não espere o bolso apertar para se organizar.

Gastos que podem ser eliminados 

Assim, continuo o passo-a-passo realista de organização financeira. Após o mapeamento proposto no primeiro artigo, a próxima etapa foi cortar:
  1. Gastos desnecessários com bancos e tarifas bancárias;
  2. Gastos elevados com bares, restaurantes e mercado;
  3. Assinaturas que eu não utilizava.
Lembra que eu comentei que o aplicativo deixava bem visível a segmentação dos gastos? Pois bem, visualizei que no gráfico de pizza que dividia o que eu estava gastando essas fatias estavam mais largas do que eu imaginava. Pode parecer pouco, mas você já chegou a calcular esses gastos no mês e ao ano? Com contas em dois bancos, eu estava pagando cerca de R$70 entre taxas e tarifas de contas e cartões mensalmente. Primeiramente, considerei uma surpresa perceber que esse era um valor sobre o qual eu não tinha controle, pois não conferia os extratos com tanta periodicidade, nem era tão evidente nas faturas. Tentei negociar com a gerente de um dos bancos se seria possível uma redução, considerando meu compromisso com os pagamentos e por ser ser cliente há muitos anos. Não tive sucesso. Uma observação que é importante trazer para reflexão: meus pais e minha irmã tiveram carreiras em banco, eu cursei economia e me vi com imensas dúvidas sobre os serviços financeiros. Consegue imaginar quem não tem acesso a informação? Por isso, defendo educação financeira no ensino básico e fico contente que hoje haja cada vez mais iniciativas de conteúdo (como a SpaceMoney) que estejam fomentando a informação. Educação é empoderamento.  Já no outro banco, consegui reduzir e, ao notar que boa parte das taxas que cobrava eram transferências, resolvi buscar uma opção para fazê-las sem custo. Parece pouca coisa, cada uma era em torno de R$7 e quando você sai com amigos, é comum um pagar e os outros transferirem. Ao pensar que “é só uma transferência”, o somatório no final do mês lembra que foram várias “só uma”. 

Conta sem tarifas nem anuidade

Como já trabalhava com startups, resolvi apostar em uma fintech. Achei incrível, pois no mesmo dia minha conta foi aprovada e eu tinha um cartão digital, sem tarifas, sem anuidade, sem taxas, com transferências gratuitas e quase que instantâneas. Além disso, também havia a possibilidade de estabelecer um limite de crédito e um cartão digital, que hoje quase todos os bancos possuem, mas tinha tido problemas com segurança e o cartão digital minimiza este risco.  Fiquei novamente com duas contas (um banco e uma fintech), porém priorizei utilizar apenas o cartão de crédito da fintech e tenho aqui algumas considerações importantes. Muitas pessoas consideram o cartão de crédito uma bola de neve. Eu discordo em partes. Primeiro porque o débito também pode trazer riscos. Com a facilidade e constância de realizar pagamentos no débito, é preciso acompanhamento constante da conta corrente para não perder o controle.  Além disso, pagar as contas de forma parcelada é uma das únicas formas que o brasileiro “não rico” possui de obter novos produtos e serviços. É preciso, porém, estabelecer um limite. Na planilha que eu criei (e prometo trazer um exemplo dela nos próximos artigos), eu estabeleci um limite mensal de gastos com cartão de crédito. Atualizo também esse limite no aplicativo da fintech. E tudo que não pago com boleto, tento concentrar no crédito. Assim, sei exatamente o dia em que vou desembolsar um limite de valor. Enquanto isso, deixo meu dinheiro aplicado e rendendo. Você pode deixar seu dinheiro aplicado em investimentos e até mesmo em contas que hoje rendem 100% do CDI. Embora não esteja rendendo muito, é sempre melhor do que deixar o dinheiro “parado”. É difícil cortar custo fixo, como moradia, e custos essenciais, como seguro do carro (a não ser que você avalie também vender o carro); mas há custos que podem ser reduzidos. No próximo artigo eu continuarei a minha saga de organização financeira e caminho aos investimentos. Espero que esteja gostando desse passo-a-passo nada romântico. Não prometo trazer fórmulas de enriquecimento, mas sim experiências práticas que fazem a diferença quando o assunto é dinheiro. 

Feliz Dia do Economista

E feliz Dia do Economista! Para todos que passaram por micro, macro, econometria, contabilidade social, sociologia e tantas outras disciplinas. Que possamos honrar nossa formação nesse momento tão delicado do mundo e que tanto será exigido no nosso país. Desejo que nossos economistas não vislumbrem apenas os ganhos individuais das oportunidades que surgirão desta crise, mas pensem na economia de uma forma ampla, contemplando os fatores que precisamos trabalhar para o desenvolvimento econômico do país como um todo, já que o custo social da Covid-19 será alto e duradouro.
 
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