
A My Vintage Dress, loja de vestidos de noiva em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, cancelou na segunda-feira, 31, as entregas previstas para clientes com casamentos em datas próximas e passou a ser alvo de uma série de reclamações de noivas que afirmam estar sem as peças a poucos dias da cerimônia. O caso ganhou repercussão na terça-feira, 1º, um dia depois de ex-funcionárias relatarem uma suposta demissão em massa das equipes de costura e comercial.
A empresa mantém forte presença digital, com mais de 170 mil seguidores no Instagram, e afirma, em comunicado, enfrentar “um problema importante em sua operação de produção”, que teria impactado atendimentos e cronogramas de entrega. A marca diz que está priorizando os casamentos mais próximos e que as clientes com processos em andamento serão contatadas individualmente.
Cancelamento às vésperas da cerimônia
Entre as afetadas está a médica Giseli Teixeira, que escolheu o vestido em junho deste ano e deve se casar no próximo final de semana. Giseli contou que o atendimento inicial foi “excelente”, mas que os problemas começaram na primeira prova, há cerca de 15 dias. Ela afirma ter esperado aproximadamente uma hora para ser atendida, ter recebido inicialmente uma peça que não era a sua e, depois, um vestido do mesmo modelo alugado, porém com diferenças perceptíveis.
“Quando coloquei no corpo, era outro vestido. A costura estava torta, a barra suja”, relatou. Itens previstos no pacote, como a luva, também não estavam disponíveis. A retirada estava marcada havia dois meses para as 10h da última segunda-feira, dia 31. Às 8h, Giseli recebeu uma mensagem informando que, por uma situação excepcional, não haveria atendimento. Ao longo do dia, não houve retorno, e as mensagens e ligações feitas pela cliente não foram atendidas. Na terça-feira, a mãe da médica foi pessoalmente até a loja.
Cliente retira vestido com rasgos e pretende acionar a Justiça
A noiva Letícia Queiroz também foi ao endereço depois de ter a retirada do vestido cancelada e de não conseguir contato com a empresa. Ela contou que, ao chegar, a costureira já estava mexendo na peça. Com a presença de mais noivas e familiares no local, Letícia tentou ajudar a organizar a situação; algumas clientes chegaram a levar peças que encontraram, enquanto outras decidiram esperar. “A coisa ficou descontrolada”, afirmou.
Letícia conseguiu retirar o vestido após assinar um termo registrando as condições da peça. Segundo ela, o modelo apresentava rasgos e ainda precisava de acabamentos. A previsão é realizar os ajustes antes da cerimônia e devolver o vestido depois do casamento. A noiva afirmou ainda que vai registrar boletim de ocorrência e entrar com uma ação judicial contra a empresa.
Demissão em massa, salários atrasados e ajuda de ex-funcionárias
De acordo com ex-funcionárias, a equipe começou a ser informada no sábado, 29, de que a My Vintage Dress não conseguiria manter as atividades por causa de um “problema interno de sociedade” e de que a empresa passava por uma auditoria interna. Diante desse cenário, a loja teria promovido o desligamento de parte significativa dos funcionários. Relatos também indicam que familiares da proprietária, Camila Rossi, estiveram depois no estabelecimento e retiraram vestidos expostos nas araras, o que levou a Polícia Militar a ser acionada.
Uma ex-funcionária afirmou que a equipe remanescente tenta entregar os vestidos das clientes com casamentos marcados até fevereiro. Para cerimônias posteriores, ainda será necessário definir o que será feito. A mesma fonte disse que outra pessoa que integrava a sociedade havia deixado a empresa há cerca de quatro meses.
Os ex-funcionários também aguardam o pagamento do salário, que costuma ocorrer no dia 29. “A gente saiu no dia de ter pagamento e eu não tenho um centavo do pagamento”, afirmou uma ex-funcionária, acrescentando que a orientação recebida foi aguardar contato do contador. Apesar da dispensa, algumas ex-funcionárias pretendem ajudar as noivas por conta própria. “Nós vamos, por conta, ajudar as noivas no que a gente puder”, disse. As consultoras também começaram a procurar novos empregos.
Polícia registra estelionato e proprietária nega paralisação
A Secretaria da Segurança Pública informou que os casos localizados estão sendo registrados como estelionato pelo 14º Distrito Policial ou por meio da Delegacia Eletrônica. “A autoridade policial está analisando as ocorrências e encaminhando-as às unidades policiais responsáveis pelas circunscrições dos endereços das vítimas, para as devidas providências”, disse a pasta.
Em outra publicação, a proprietária Camila Rossi afirmou que a My Vintage Dress trabalha para finalizar e entregar os vestidos das noivas com casamentos marcados para os próximos dias. Segundo ela, o tumulto na loja e no ateliê interrompeu a produção e deixou parte das funcionárias com medo de voltar ao trabalho. Camila disse ainda que a empresa também foi “vítima do que aconteceu” e que uma “grave situação interna” está sendo apurada, sem dar detalhes.
A proprietária acrescentou que a equipe está mobilizada, com disponibilização de peças do acervo e busca por parceiros, e que a empresa não está parada nem desistiu das entregas.





