Avião da Latam estacionado no Aeroporto Internacional de Santiago
Avião da Latam estacionado no Aeroporto Internacional de Santiago

O CEO da Latam, Roberto Alvo, descartou qualquer alívio no preço das passagens aéreas antes do final de 2026. Em declaração durante a Assembleia Geral da Iata, neste sábado (6), ele foi direto: mesmo que o conflito no Oriente Médio termine hoje, os custos seguirão elevados por meses — e o consumidor pagará a conta.

O peso do combustível nas contas da Latam

O querosene de aviação representa cerca de 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea. Com a guerra no Irã bloqueando exportações pelo Estreito de Ormuz, o barril do insumo disparou para US$ 170 — e a Latam projetou um gasto adicional superior a US$ 700 milhões só no segundo trimestre de 2026.

No primeiro trimestre, o impacto já havia somado US$ 40 bilhões em custos extras. A empresa respondeu com hedge de combustível, ajustes de capacidade e controle de gastos para tentar preservar margens.

Argumento do CEO: estoques precisam ser recompostos

Alvo explicou a lógica da pressão de preços com precisão. «Mesmo que o conflito no Oriente Médio terminasse hoje, provavelmente veríamos preços mais altos por algum tempo, pois será necessário recompor os estoques consumidos para manter não só a aviação, mas também o transporte terrestre», afirmou.

A análise aponta para um problema estrutural de curto prazo: o mercado global de petróleo não responde de forma imediata ao fim de um conflito. A recomposição de estoques leva tempo, e esse intervalo mantém o preço do combustível pressionado.

Latam registrou resultados sólidos mesmo sob pressão

Apesar do ambiente adverso, a Latam entregou lucro Ebitda ajustado de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, com lucro líquido de US$ 576 milhões e margem operacional ajustada de 19,8%. A capacidade cresceu 10,4% e o grupo transportou 22,9 milhões de passageiros — alta de 9,1% frente ao mesmo período de 2025.

Para Alvo, a solidez financeira é justamente o diferencial competitivo neste ciclo. «É um momento em que percebemos que um balanço financeiro forte e um forte crescimento das oportunidades são uma vantagem-chave», disse o executivo.

Ajustes de rota no radar

Sobre eventuais cortes de voos, Alvo admitiu que ajustes de capacidade fazem parte da estratégia normal em momentos de alta de custos. A companhia não anunciou cancelamentos, mas sinalizou que priorizará rotas com maior retorno.

O cenário desafia não só a Latam, mas toda a indústria aérea. Para entender o impacto desse ambiente de custos elevados nas decisões de política econômica e no bolso do consumidor brasileiro, acompanhe a cobertura da SpaceMoney.