A Fundação Getulio Vargas (FGV) projeta que o superávit da balança comercial brasileira em 2026 ficará entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões. A estimativa foi divulgada nesta semana e embute premissas sobre o cenário geopolítico global, que permanecem incertas.
Premissas que sustentam a projeção
O intervalo de US$ 72 bi a US$ 75 bi pressupõe que o conflito no Oriente Médio não se estenderá ao segundo semestre de 2026. Qualquer escalada das tensões regionais poderia impactar rotas de navegação, elevar fretes e comprimir o volume de exportações brasileiras.
A FGV também considera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não introduzirá novas surpresas no cenário comercial mundial. Tarifas adicionais ou restrições inesperadas ao comércio global representam o principal risco de baixa para o intervalo projetado.
Contexto da balança comercial
O resultado de maio já sinalizou alguma pressão sobre o saldo externo brasileiro. O superávit comercial do mês ficou em US$ 7,239 bilhões, abaixo do esperado pelo mercado, indicando que o ritmo de acumulação de saldo pode ser mais lento do que o previsto no início do ano.
O Brasil mantém uma pauta exportadora concentrada em commodities agrícolas e minerais, o que torna o saldo altamente sensível à demanda chinesa, ao dólar e às cotações internacionais de soja, minério de ferro e petróleo. Para análise mais ampla do ambiente macroeconômico, esses fatores seguem como variáveis determinantes.
Riscos ao cenário-base
Geopolítica no Oriente Médio
Uma extensão do conflito no Oriente Médio ao segundo semestre elevaria os custos logísticos e poderia redirecionar fluxos de comércio, prejudicando a competitividade das exportações brasileiras em mercados asiáticos e europeus.
Política comercial de Trump
Novas tarifas ou sanções promovidas pela administração Trump representam risco direto ao volume exportado pelo Brasil para os EUA e indireto via desaceleração do comércio global, que afeta a demanda por matérias-primas.
O que os dados sinalizam
Com o superávit acumulado até maio abaixo das expectativas, atingir o piso de US$ 72 bilhões exigirá aceleração consistente do saldo no segundo semestre. A FGV mantém o intervalo como cenário-base, mas reconhece que a margem para surpresas negativas é real e relevante.





