O furto de veículos é uma variável econômica relevante nos Estados Unidos, com impacto direto sobre o custo dos seguros, a dinâmica do mercado de reposição e a percepção de segurança regional. Em 2025, o país registrou mais de 650 mil ocorrências, um ritmo de aproximadamente um veículo furtado a cada 48 segundos. O dado, divulgado pelo National Insurance Crime Bureau (NICB) em parceria com o U.S. Census Bureau, mostra uma queda considerável em relação aos recordes históricos dos últimos anos, mas o problema persiste com intensidade em várias regiões.
Para além do total absoluto, o que mais chama a atenção é a distribuição geográfica. A taxa de furtos por 100 mil habitantes varia de 348 na Califórnia a 40 em Nova Hampshire, um intervalo de quase nove vezes entre os extremos. Essa diferença não é aleatória: ela reflete combinações de densidade demográfica, condição econômica, estrutura policial e até características de segurança dos veículos em circulação.
Panorama nacional: mais de 650 mil veículos furtados em um ano
O número de 650 mil veículos furtados em 2025 consolida os Estados Unidos como um dos mercados mais desafiadores do mundo para a segurança patrimonial. De acordo com o NICB, esse volume representa um alívio em relação ao pico observado nos anos anteriores, mas mantém a frequência de um caso a cada 48 segundos. A contagem considera apenas os roubos reportados, o que significa que a realidade pode ser ainda maior, já que parte das vítimas não aciona as autoridades.
Os dados combinam os totais de furtos por estado com as estimativas populacionais do censo de 2025, gerando uma métrica padronizada. Essa taxa por 100 mil habitantes permite comparar estados de portes muito diferentes, como Texas e Vermont, sem que o tamanho da população distorça a análise. É a partir dessa base que o ranking de incidência ganha valor analítico para seguradoras, montadoras e gestores públicos.
Califórnia, Nevada e Novo México lideram a taxa por 100 mil habitantes
A Califórnia aparece no topo do ranking com 348 furtos por 100 mil habitantes, um número que coloca o estado muito acima da média nacional. Em seguida, Nevada e Novo México aparecem empatados com 318 furtos por 100 mil, o que reforça a concentração do problema no oeste americano. Colorado, com 280, e Washington, com 228, também figuram entre as maiores taxas, evidenciando um padrão regional.
Não se trata apenas de grandes centros urbanos. O Alasca aparece com 232 furtos por 100 mil e o Oregon com 208, estados com características geográficas e econômicas bem distintas. Essa amplitude sugere que a incidência de furtos é influenciada por uma combinação de fatores, incluindo a proximidade com rotas de tráfico e a presença de redes de desmanche.
Alta incidência também atinge a região central e a costa leste
O fenômeno não está limitado ao oeste. Missouri aparece empatado com Colorado em 280 furtos por 100 mil, e Maryland registra 273, ambos em patamares elevados para suas regiões. Texas, com 240, Illinois, com 223, e Kansas, com 201, mostram que a região central e a costa leste também enfrentam desafios importantes.
Na faixa seguinte, Tennessee e Louisiana têm 188 furtos por 100 mil, Carolina do Norte 185 e Carolina do Sul 184. Ohio (174), Oklahoma (172), Michigan (171) e Arizona (169) também aparecem com taxas acima de 160. Completam o grupo de incidência intermediária Nebraska (168), Minnesota (165), Connecticut (161), Indiana (160) e Pensilvânia (158). Delaware (156), Geórgia (154), Mississippi (153), Kentucky (151), Dakota do Sul e Nova Jersey (149), Alabama (145) e Arkansas (144) completam a lista de estados com taxas acima de 140.
Onde o furto de veículos é menos frequente
Na ponta oposta, Nova Hampshire registra a menor taxa do país, com apenas 40 furtos por 100 mil habitantes. Idaho aparece com 54, Maine com 61 e Wyoming com 73, seguidos pela Virgínia Ocidental com 82. Esses estados combinam baixa densidade demográfica, comunidades menores e, em muitos casos, menos infraestrutura portuária ou de fronteira que facilite o escoamento de veículos roubados.
Outros estados com taxas relativamente baixas incluem Utah e Massachusetts com 90, Iowa com 102, Rhode Island com 107 e Virgínia com 108. Havaí aparece com 110, Vermont com 113, Flórida com 117, Wisconsin e Dakota do Norte com 118, e Nova York com 121. Mesmo Nova York, historicamente associado a altos índices de criminalidade, fica abaixo de estados como Montana, que registra 125.
Fatores estruturais por trás das diferenças regionais
A variação nas taxas de furto não pode ser explicada por um único fator. A densidade populacional é uma das variáveis mais citadas, pois áreas urbanas concentram mais veículos e, ao mesmo tempo, mais oportunidades para os criminosos. No entanto, a comparação entre Nevada e Nova Hampshire mostra que a geografia e a estrutura econômica local também influenciam.
Recursos de policiamento, presença de câmeras de segurança, políticas de rastreamento veicular e até o perfil da frota são elementos que afetam a vulnerabilidade. Além disso, a proximidade com rotas de tráfico interestadual e com portos pode facilitar a revenda de peças e veículos. Esses fatores são considerados por seguradoras na precificação de apólices e por montadoras no desenvolvimento de sistemas antifurto.
Para o investidor, entender essas dinâmicas regionais é útil para avaliar o desempenho de empresas de segurança, seguradoras e até de concessionárias de infraestrutura. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
O veículo mais visado e as implicações para o mercado
O modelo mais furtado nos Estados Unidos em 2025 foi o Hyundai Elantra, com 21.732 ocorrências, seguido pelo Honda Accord, com 17.797. Esses números ajudam a entender o mercado de reposição de peças e explicam por que algumas montadoras investem mais em tecnologias de imobilização e rastreamento em determinados modelos.
A concentração das ocorrências em veículos populares com alto valor de revenda de peças é um padrão clássico do crime organizado. Para as seguradoras, isso representa um risco atuarial mensurável, que pode ser mitigado com dispositivos de rastreamento e políticas de desconto para veículos equipados. A análise por estado e por modelo, portanto, é uma ferramenta essencial para a gestão de risco no setor de mobilidade.





