Nos últimos 75 anos, a matriz energética dos Estados Unidos passou por uma transformação profunda, impulsionada por inovações tecnológicas, mudanças de custos e eventos geopolíticos. De acordo com dados da U.S. Energy Information Administration (EIA), a produção total de energia primária americana saltou de 34,5 quatrilhões de BTU em 1950 para 107,1 quatrilhões de BTU em 2025, um crescimento de 210%. Esse aumento vertiginoso foi acompanhado por uma reordenação completa das fontes que alimentam o país, com o gás natural assumindo a liderança que antes pertencia ao carvão.

O petróleo bruto, por sua vez, manteve uma posição relevante, mas com uma trajetória volátil. Em 1950, respondia por 33% da produção; em 2025, sua participação era de 26%, ainda o segundo maior percentual. A queda foi dramática entre os anos 1970 e 2008, quando sua fatia caiu para 15%, antes de se recuperar com as técnicas de fraturamento hidráulico (fracking). A combinação de petróleo e gás natural de xisto fez dos EUA o maior produtor mundial de petróleo e um dos poucos países desenvolvidos que produzem mais energia do que consomem.

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A inversão histórica entre carvão e gás natural

Em 1950, o carvão era a principal fonte de energia dos EUA, com 40,9% da produção total, seguido pelo petróleo (33%) e gás natural (20,3%). Setenta e cinco anos depois, a ordem se inverteu completamente. O gás natural passou a ocupar o topo, com 47,2% da produção, enquanto o carvão recuou para apenas 10,3%. Em termos absolutos, a produção de carvão caiu de 14,1 quatrilhões de BTU em 1950 para 11,0 quatrilhões de BTU em 2025, uma redução de 22%, após atingir um pico de 24,0 quatrilhões de BTU em 1998.

O declínio do carvão acelerou após 2009, quando as usinas elétricas passaram a substituí-lo pelo gás natural, mais barato e menos poluente. O gás natural, por sua vez, teve um crescimento explosivo de 621% no período, passando de 7,0 para 50,5 quatrilhões de BTU. Esse salto se deve principalmente à revolução do xisto, que a partir de 2008 rompeu um longo período de estagnação na produção. A participação do gás natural na matriz saltou de 20,3% para 47,2%, um ganho de 26,9 pontos percentuais.

A transição entre essas duas fontes fósseis reflete não apenas mudanças de custo, mas também avanços tecnológicos e regulatórios. Enquanto o carvão perdeu espaço, o gás natural se consolidou como a principal fonte de geração elétrica e um pilar da segurança energética americana.

A trajetória do petróleo e o avanço das renováveis

O petróleo bruto seguiu um caminho mais sinuoso. Sua produção em quads praticamente dobrou entre 1950 e 1970, de 11,4 para 20,4 quatrilhões de BTU, mas depois entrou em declínio por mais de três décadas, atingindo o mínimo de 10,6 quatrilhões de BTU em 2008. A recuperação veio com o fracking e a perfuração horizontal, que levaram a produção a um recorde de 28,2 quatrilhões de BTU em 2025, um aumento de 147% em relação a 1950. Sua participação no mix, no entanto, caiu de 33% para 26,3% ao longo do período, uma redução de 6,7 pontos percentuais.

As fontes renováveis, embora ainda com participação modesta, também mostraram expansão. A energia solar e eólica, que não existiam em 1950, somavam 3,0 quatrilhões de BTU em 2025, representando 2,8% da produção. A hidrelétrica e geotérmica mantiveram-se estáveis em 0,9% cada, enquanto a biomassa (madeira e resíduos) e biocombustíveis contribuíram com 4,8% combinados. No total, as renováveis (incluindo hidro) passaram de 3,4% em 2006 para 6,7% em 2025, um avanço relevante, mas ainda distante de substituir os combustíveis fósseis.

É notável que, apesar do crescimento das renováveis, a matriz energética americana permanece dominada pelos mesmos três combustíveis fósseis de 1950, apenas em uma ordem diferente. O gás natural, o petróleo e o carvão juntos representavam 83,8% da produção em 2025, contra 94,2% em 1950. A diferença foi ocupada pela energia nuclear (7,7%) e pelas renováveis (6,7%).

O significado para a economia e os mercados globais

A transformação da matriz energética dos EUA tem implicações profundas para o equilíbrio de poder global. O país passou de importador líquido de energia para exportador, graças ao boom do xisto. Isso altera a dinâmica dos mercados internacionais de petróleo e gás, reduz a vulnerabilidade a choques externos e fortalece a posição dos EUA em negociações geopolíticas. Para investidores, a evolução setorial oferece oportunidades em diferentes frentes, desde a infraestrutura de gás natural até as energias renováveis.

Os dados da EIA mostram que a produção total de energia primária dos EUA mais que triplicou em 75 anos, passando de 34,5 para 107,1 quatrilhões de BTU. Esse crescimento foi puxado principalmente pelo gás natural, cuja produção aumentou mais de sete vezes. O petróleo também contribuiu, com alta de 147%, enquanto o carvão encolheu. A resiliência do setor energético americano, combinada com a diversificação de fontes, torna o país um caso único entre as grandes economias.