Retrato de David Hockney, ícone da pop art, falecido em 2026
David Hockney em foto de divulgação; artista morre aos 88 anos deixando vasto legado na pop art.

O pintor britânico David Hockney, um dos nomes mais valiosos e influentes da arte contemporânea, faleceu na noite de quinta-feira, 11 de junho de 2026, aos 88 anos, em sua residência em Londres. A informação foi confirmada pela assessora Erica Bolton, que informou que a morte ocorreu de forma pacífica, pouco antes de seu 89º aniversário. O artista vinha recebendo acompanhamento médico contínuo nos últimos meses, mas a causa do óbito não foi divulgada. Hockney deixa o companheiro Jean-Pierre Gonçalves de Lima, além de irmãos, sobrinhos e seu sobrinho-neto Richard, que atuava como assistente de estúdio.

Consolidado entre as décadas de 1950 e 1960 como pilar da pop art, Hockney construiu um portfólio que redefiniu o imaginário visual do pós-guerra, com telas marcadas por tons turquesa, cores vibrantes e as icônicas piscinas californianas. Sua obra, que transitou entre o rigor acadêmico e a inovação digital — chegando a criar no iPad após os 70 anos —, é considerada um dos ativos mais líquidos do mercado secundário de arte. Leilões recentes da Sotheby’s e Christie’s registraram valores acima de US$ 30 milhões por peças como ‘Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)’, refletindo a alta demanda por seu trabalho entre colecionadores e fundos de investimento em arte.

Inovação técnica e ativismo queer como valor de mercado

Hockney foi pioneiro ao incorporar temática abertamente homossexual em sua produção, posicionando-se contra a censura e defendendo a livre representação da cultura queer. Esse ativismo, aliado à sua capacidade de se reinventar tecnologicamente, ampliou o apelo de seu legado para novas gerações de investidores e curadores. No ano passado, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, inaugurou a maior retrospectiva já dedicada a ele, com envolvimento direto do artista. Durante a abertura, Hockney declarou ao The New York Times: ‘Eu apenas continuo fazendo o meu trabalho. Quando voltar de Paris, vou seguir pintando’. Questionado sobre o sentimento que esperava provocar, resumiu: ‘Alegria, alegria verdadeira’.

Especialistas do setor apontam que a morte de Hockney deve impulsionar ainda mais o valuation de suas obras, fenômeno comum com artistas de alto calibre após o falecimento. A oferta limitada e a demanda institucional — museus e coleções corporativas — tendem a elevar os preços em até 30% nos próximos leilões, segundo analistas da Art Market Research. O legado do britânico, que se autodenominava um ‘inglês los angeleno’, permanece como um dos pilares do mercado global de arte contemporânea, com obras pulverizadas em fundações, galerias e acervos privados nos cinco continentes.