Bancos do Brasil e Argentina correm por estrutura para ativos digitais, aponta guia do Crypto Finance Group.
Bancos do Brasil e Argentina avançam na estruturação de serviços para ativos digitais, impulsionados pela demanda institucional.

A América Latina consolidou sua posição como o mercado de criptomoedas que mais cresce no mundo, com demanda regional avançando 63% entre meados de 2024 e 2025, segundo a Chainalysis. Cerca de US$ 1,5 trilhão em volume de transações onchain passou pela região entre meados de 2022 e 2025, impulsionado principalmente por Brasil e Argentina. Agora, os bancos desses dois países correm para construir infraestrutura regulada para ativos digitais, conforme guia publicado pelo Crypto Finance Group, do Grupo Deutsche Börse.

Regulação como primeiro passo

A primeira decisão para instituições financeiras é regulatória, não tecnológica. O guia aponta que o Brasil oferece maior visibilidade regulatória, enquanto a Argentina exige maior capacidade de interpretação das regras. Em ambos os casos, as instituições devem definir desde o início qual entidade jurídica assume a exposição, como os relatórios são estruturados e qual segmento de clientes o serviço pretende atender.

Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group, afirma que os ativos digitais atingiram um ponto de inflexão na adoção institucional. Para o executivo, as principais instituições financeiras já entenderam que não podem mais ignorar essa classe de ativos, e o diferencial deixou de ser o acesso ao mercado para ser a infraestrutura regulamentada para operar com rigor institucional.

Custódia e liquidez: desafios operacionais

No mercado de ativos digitais, a ordem se inverte em relação aos mercados tradicionais: o controle sobre as chaves privadas define o perímetro operacional antes mesmo de qualquer transação ocorrer. A custódia que opera fora das estruturas de controle institucional gera problemas de reconciliação e riscos que se agravam conforme a atividade cresce.

A liquidez do mercado é predominantemente denominada em dólar, enquanto a demanda nasce em pesos ou reais, tornando a exposição cambial parte intrínseca da execução das operações. Mesmo no Brasil, os fluxos institucionais frequentemente vão além das plataformas locais para acessar pools de liquidez mais profundos. As estruturas mais eficientes combinam liquidez agregada com liquidação integrada, segundo o guia.

Stablecoins na tesouraria

Na Argentina, no Brasil e no México, os mercados de ativos digitais operam de forma contínua e liquid. As stablecoins entram na estratégia de tesouraria como instrumento para lidar com a volatilidade cambial e a fragmentação de liquidez. O guia sugere que as instituições integrem esses ativos em suas operações de tesouraria para otimizar a gestão de caixa.

O Crypto Finance Group, regulamentado pela FINMA e pela BaFin, foi uma das primeiras empresas a obter licença sob o MiCAR, o marco europeu que regula o mercado de criptoativos. O grupo publicou o guia prático com cinco etapas para instituições financeiras da Argentina, do Brasil e do México que desejam construir serviços de ativos digitais de nível institucional. Para mais informações sobre o ecossistema de criptomoedas, acesse nossa cobertura.