Barril de petróleo Brent com alta de 4,9% após escalada geopolítica no Oriente Médio
Barril de petróleo Brent negociado na ICE; preço saltou 4,9% após rompimento de cessar-fogo entre Irã e Israel.

A retomada de hostilidades entre Israel e Irã nesta segunda-feira, 8 de junho, provocou um salto de 4,9% no preço do barril de Brent, que se aproximou dos US$ 100, renovando temores de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent atingiu US$ 97,83 durante a sessão, enquanto o WTI americano subiu 4,5%, para US$ 94,64. O movimento reflete a reação do mercado à quebra do cessar-fogo firmado em abril, que já sinalizava fragilidade.

Segundo analistas, o risco de um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, voltou a ser o principal fator de pressão sobre os preços. A via já opera perto do fechamento desde o agravamento das tensões há dois meses.

Escalada militar e reações internacionais

A Força Aérea israelense afirmou ter atingido alvos militares no oeste e centro do Irã, enquanto Teerã respondeu com ataques às bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof, segundo a agência Fars, citando a Guarda Revolucionária Islâmica. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, também anunciaram o bloqueio de navios israelenses no Mar Vermelho.

O presidente americano Donald Trump foi informado dos ataques e declarou que a ofensiva iraniana ‘certamente não vai ajudar as negociações’. Um oficial iraniano envolvido nas conversas com Washington disse que ‘um acordo com o presidente Trump não é mais viável neste estágio’. Trump havia pedido ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que não retaliasse, mas Israel ignorou o apelo. O líder americano afirmou ao Financial Times: ‘Eu dou as ordens. Eu dou todas as ordens.’

Impacto nos preços do petróleo

O Brent, referência internacional, avançou 4,9% e fechou a US$ 97,65 o barril, com máxima de US$ 97,83. O WTI americano subiu 4,5%, para US$ 94,64, com pico próximo de US$ 95. O movimento ampliou as perdas recentes e recolocou o petróleo em trajetória de alta, após semanas de oscilação entre esperanças de acordo e realidade de impasse.

Analistas como Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, destacaram que ‘a escalada entre Israel e Irã mostra mais uma vez como o cessar-fogo é frágil’. Para ele, o aumento das hostilidades eleva o risco geopolítico de um fechamento prolongado do estreito e a chance de o Irã adotar medidas adicionais para restringir a navegação no Mar Vermelho. Acompanhe análises aprofundadas sobre o setor na página de commodities da SpaceMoney.

Estreito de Ormuz e riscos logísticos

O Estreito de Ormuz é a principal artéria do fluxo global de petróleo, com cerca de 20 milhões de barris por dia. Qualquer interrupção prolongada pode elevar os preços de forma significativa e afetar a oferta global. Mesmo que um acordo de paz entre Washington e Teerã seja fechado, a retomada normal do fluxo enfrentaria obstáculos como remoção de minas, reativação de campos e reparos em infraestrutura danificada.

Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, disse que ‘o mercado continua oscilando entre precificar um acordo e precificar a realidade de que nenhum dos lados mudou de posição’. Ele acrescentou que ‘cada vez que o otimismo vai longe demais, o petróleo recua’.

OPEP+ e ajustes na oferta

Em paralelo ao agravamento do conflito, a OPEP+ aprovou mais um aumento nas cotas de produção para julho, de 188 mil barris por dia. É o quarto reajuste consecutivo desde o fechamento do Estreito de Ormuz, embora grande parte dos membros do bloco ainda enfrente dificuldades para escoar o petróleo pelo Golfo Pérsico.

Para o mercado, a combinação de escalada geopolítica e incremento gradual de oferta pela OPEP+ cria um cenário de volatilidade. Investidores monitoram de perto os próximos passos de Israel e Irã, bem como as sinalizações da Casa Branca, enquanto o petróleo se aproxima novamente da barreira psicológica dos US$ 100.