A queda de um helicóptero na Vista Chinesa no sábado (8) deixou quatro mortos e colocou o estado do Rio de Janeiro novamente diante de um cenário de segurança aérea marcado pela recorrência de tragédias. De acordo com o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa), o estado acumula 47 acidentes aéreos em dez anos. Desse total, 16 ocorrências terminaram com 38 vítimas fatais.

O acidente mais recente é o quinto com mortes no Rio de Janeiro nos últimos oito meses. Em junho, duas aeronaves colidiram no céu do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade, deixando seis mortos, entre eles o cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi. Os dados do Cenipa, compilados pela Força Aérea Brasileira (FAB), indicam que a maior parte das tragédias com óbito teve contribuição humana, por desempenho técnico ou aspectos psicológicos.

Cenipa registra 47 acidentes aéreos no Rio desde 2016

O levantamento do Cenipa contabiliza todas as ocorrências com aeronaves no território fluminense a partir de 2016. Dos 47 acidentes mapeados no período de dez anos, 16 resultaram em mortes e 38 pessoas perderam a vida. O balanço inclui desde quedas de helicópteros em áreas urbanas e de mata fechada até a colisão entre duas aeronaves em pleno voo.

Ao analisar os acidentes fatais, o Cenipa identificou que a maioria teve contribuição humana por desempenho técnico ou aspectos psicológicos. Em 11% dos casos, o ambiente operacional foi apontado como fator associado. Os inquéritos sobre os episódios mais recentes ainda não foram encerrados.

Queda na Vista Chinesa: quatro mortes em área turística

O helicóptero caiu na Vista Chinesa, um dos pontos mais conhecidos da cidade, no sábado (8). Entre as vítimas está um piloto com 20 anos de experiência. As outras três pessoas que estavam a bordo eram turistas colombianas que visitavam o Rio de Janeiro. A dinâmica da queda e as circunstâncias que levaram à tragédia estão sendo apuradas pelo Cenipa.

O caso ocorreu em um intervalo de oito meses marcado por outras situações semelhantes no estado. As investigações sobre o episódio seguem abertas, assim como os demais inquéritos relacionados às ocorrências fatais registradas no período.

Colisão no Recreio dos Bandeirantes e o alerta do transponder

Em junho, a colisão entre duas aeronaves no céu do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade, deixou seis mortos. Entre as vítimas estavam o cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi. O relatório preliminar do Cenipa reconstruiu a sequência de acontecimentos e apontou que os dois comandantes previram fazer a mesma rota.

O documento trouxe ainda um dado relevante: o helicóptero que transportava os artistas estava com o transponder desligado e, por isso, não foi detectado pelos radares. As aeronaves passaram a utilizar a Frequência de Coordenação Aérea (FCA), que não era monitorada pelos órgãos de controle. Também não havia gravação das comunicações entre as aeronaves no modo de auto-coordenação.

Guaratiba e Copacabana: outras ocorrências fatais recentes

Em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, três pilotos morreram após um helicóptero cair em área de mata fechada. As vítimas foram Diego Dantas Lima Moraes, de 36 anos, Sérgio Nunes Miranda, de 36 anos, e o capitão bombeiro Lucas Silva Souza. No momento do acidente, Diego Dantas dava instruções aos outros dois em um voo de familiarização com o modelo da aeronave.

Em dezembro passado, um avião que fazia propaganda na praia de Copacabana caiu quando o piloto sobrevoava o mar. Luiz Ricardo Leite de Amorim estava sozinho na aeronave e fazia seu primeiro voo no trabalho. A ocorrência também segue sob investigação, assim como as demais fatalidades registradas no período.

Investigações em aberto e o peso dos fatores humanos

O histórico compilado pelo Cenipa desde 2016 mostra que as ocorrências fatais no Rio têm, em sua maioria, relação com fatores humanos. A análise do órgão considera desempenho técnico e aspectos psicológicos como elementos de contribuição predominantes, enquanto o ambiente operacional aparece em 11% dos casos. Ainda não há relatórios finais que expliquem as causas das ocorrências registradas nos últimos meses.

As investigações sobre a queda na Vista Chinesa, a colisão no Recreio dos Bandeirantes, o acidente em Guaratiba e a queda em Copacabana permanecem abertas. Entre os casos recentes, o Cenipa já apresentou um relatório preliminar sobre a colisão de junho, com informações sobre a rota, o transponder desligado e a comunicação entre as aeronaves.