O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que autorizará a Ucrânia a produzir localmente os mísseis do sistema de defesa aérea Patriot, durante reunião bilateral com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à margem da cúpula da Otan em Ancara. A medida representa um salto qualitativo no apoio militar americano, transferindo capacidade tecnológica estratégica para Kiev em meio à intensificação dos bombardeios russos.

Licença de produção e impacto na defesa aérea ucraniana

Trump afirmou que a licença permitirá à Ucrânia fabricar os interceptadores Patriot, classificando o equipamento como defensivo. “É uma arma defensiva, o que prefiro a uma arma ofensiva”, declarou o presidente americano, em discurso indireto. A decisão atende a uma demanda recorrente de Zelensky, que busca reforçar a defesa aérea diante dos ataques com mísseis balísticos russos, contra os quais os Patriots são os únicos capazes de interceptação eficaz antes do impacto.

A Lockheed Martin, principal fabricante dos interceptadores, ainda não foi formalmente comunicada sobre a licença, segundo Trump. O presidente americano sinalizou que poderá pressionar a empresa e outras do setor a ampliar a produção global, citando o poder de influência do governo sobre as contratantes. “Temos grande poder sobre as empresas que fabricam o Patriot”, disse, acrescentando que acredita em uma reação positiva da indústria.

Contexto geopolítico e negociações de paz

Durante o encontro, Trump também abordou as perspectivas de encerramento do conflito, afirmando que tanto Rússia quanto Ucrânia desejam o fim da guerra, embora tenha classificado os presidentes Vladimir Putin e Zelensky como interlocutores difíceis. “Já resolvemos muitas guerras, e esta é aquela que achei que talvez fosse a mais fácil, mas Putin é um personagem difícil, e esse cara também é um personagem difícil”, declarou, em referência aos dois líderes.

Zelensky, por sua vez, manifestou confiança na mediação de Trump para buscar uma solução diplomática. “Tenho certeza de que você fará de tudo para acabar com essa guerra”, afirmou o ucraniano, em discurso indireto. O encontro ocorre em um momento de escalada militar: na madrugada desta quarta-feira, a Rússia lançou novos mísseis balísticos contra Kiev, o terceiro ataque à capital em menos de uma semana, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de interceptadores americanos.

Você pode acompanhar os principais desdobramentos e as notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.