Arena do UFC montada no gramado da Casa Branca durante evento esportivo
Arena Claw do UFC erguida no jardim sul da Casa Branca para evento do Freedom 250

O presidente norte-americano Donald Trump dá início a uma ambiciosa agenda esportiva que promete impactar tanto a imagem dos Estados Unidos no exterior quanto as dinâmicas de investimento em entretenimento e eventos globais. A série de atrações começa no gramado da Casa Branca, com lutas do Ultimate Fighting Championship (UFC) neste domingo, no Dia da Bandeira, que coincide com o 80º aniversário de Trump. O evento, apelidado de ‘maior espetáculo da Terra’ pelo mandatário, conta com uma arena batizada de ‘Claw’, erguida sobre o Jardim Sul da residência oficial e comparada por Trump à Torre Eiffel de Paris.

A movimentação vai além do UFC: Trump também convenceu a IndyCar a realizar uma corrida ao redor do National Mall, em Washington, D.C., no fim do verão, enquanto a Copa do Mundo da Fifa, cuja organização foi concedida a EUA, Canadá e México durante seu primeiro mandato, já começou nesta semana. Analistas de mercado observam que a estratégia de ‘sportswashing’ — termo usualmente reservado a regimes autoritários ou petroestados — está sendo aplicada de forma explícita pelos Estados Unidos, com o presidente utilizando eventos de alto impacto para projetar força interna e externa.

Freedom 250: o braço corporativo da celebração

O governo Trump criou seu próprio comitê para planejar eventos em torno do 250º aniversário do país, chamado Freedom 250, que agendou tanto as lutas do UFC quanto a corrida automobilística. Bud Denker, presidente do Grande Prêmio Freedom 250 e presidente da Penske Corp, afirmou que a iniciativa ‘o anima (Trump), pois traz essa positividade para o nosso país quando precisamos’. A estrutura paralela ao Congresso — que já havia montado uma comissão apartidária para o mesmo fim — revela a intenção da Casa Branca de controlar a narrativa e associar o legado do presidente às comemorações.

Do ponto de vista corporativo, a parceria com o UFC e a IndyCar representa um movimento de branding nacional que pode alavancar o valor dessas organizações esportivas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o crescimento do UFC como ‘a definição do poder diplomático brando americano’ e anunciou uma parceria público-privada com a entidade para incorporar esportes de combate aos esforços diplomáticos do Departamento de Estado. Embora Rubio não tenha especificado os acordos financeiros, especialistas apontam que a exposição global pode gerar múltiplos mais altos para as franquias envolvidas.

Críticas de ‘sportswashing’ e comparações com petro-estados

Acadêmicos e críticos têm feito comparações com países do Golfo Pérsico que investem em organizações de esportes de combate, incluindo o UFC, para projetar influência e desviar o escrutínio de seus históricos de direitos humanos. Nick Watanabe, professor de gestão de esportes e entretenimento na Universidade da Carolina do Sul, afirmou: ‘Costumamos falar em sportswashing quando nos referimos a ditadores ou países ricos em petróleo. Isso definitivamente se aplica aos Estados Unidos.’ Para Watanabe, Trump está ‘aproveitando esse momento oportuno e tentando se colocar na vanguarda dos 250 anos da República americana’ — sem sutilezas, com o objetivo de ‘mostrar a todos que os Estados Unidos são grandes, e que ele é o único líder’.

A agenda esportiva também se entrelaça com a política externa. Logo após as lutas do UFC, Trump tem uma visita marcada à França para a reunião dos líderes do G7, adiada pelas autoridades francesas justamente para evitar conflito com o evento. Além disso, a capacidade do governo de usar o impulso dos jogos para promover os Jogos Olímpicos de Verão de 2028 em Los Angeles e para reforçar ações militares recentes — como a missão na Venezuela e ataques ao Irã — reforça a tese de que o soft power está sendo instrumentalizado.

Impacto econômico e de imagem para o mercado de entretenimento

Aliados de Trump afirmam que os eventos refletem seu amor pelo esporte, sua perspicácia nos negócios e seus esforços para garantir um legado transformador. A criação da ‘Claw’ e a corrida Freedom 250 geram expectativas de aumento no turismo e na arrecadação de impostos locais, além de fortalecerem a posição das organizações esportivas como ativos midiáticos relevantes. Para investidores, a proximidade da Casa Branca com o UFC e a IndyCar sinaliza um ambiente regulatório favorável ao setor de entretenimento, especialmente em um ano eleitoral e de celebração nacional.

Entretanto, o risco reputacional associado ao ‘sportswashing’ pode afetar patrocinadores e parceiros comerciais que buscam evitar controvérsias. Enquanto isso, a ausência de respostas oficiais da Casa Branca aos pedidos de comentário da Reuters deixa margem para interpretações do mercado — que segue atento às próximas etapas da temporada esportiva trumpista, incluindo a possibilidade de novos eventos no calendário do Freedom 250.