Impacto da corrupção no mercado financeiro brasileiro
Palácio do Planalto em Brasília, centro das decisões políticas que afetam o mercado.

A percepção de que a corrupção avançou no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo majoritária entre os brasileiros, mas apresenta leve recuo, segundo levantamento do PoderData divulgado nesta segunda-feira (8). O dado, que ainda reflete um cenário de desconfiança, ganha contornos econômicos relevantes à medida que o mercado acompanha os desdobramentos do caso Banco Master, cuja liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025 expôs fragilidades no sistema financeiro e conexões políticas sensíveis para investidores.

Análise dos números da pesquisa

O levantamento, realizado entre 30 de maio e 1º de junho de 2026, ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios das 27 unidades da Federação, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados mostram que 47% dos entrevistados avaliam que a corrupção aumentou desde a posse do petista, em janeiro de 2023. Esse percentual representa um recuo de dois pontos em relação à pesquisa de janeiro deste ano, quando 49% compartilhavam dessa opinião. Apesar da queda, o número ainda é o mais expressivo entre as categorias.

No polo oposto, aumentou a parcela que enxerga redução das irregularidades: 21% afirmam que a corrupção diminuiu, ante 18% no início do ano. Outros 28% consideram que a situação permaneceu igual, enquanto 5% não souberam responder. A mudança, embora sutil, sugere uma leve melhora na percepção pública, mas insuficiente para alterar o clima de cautela que domina o ambiente de negócios.

O peso do caso Banco Master na percepção

O contexto da pesquisa é marcado pelo avanço das investigações sobre o Banco Master, cujo fundador, Daniel Vorcaro, foi preso após a liquidação extrajudicial da instituição. O Banco Central apontou problemas de liquidez, falhas nos controles internos e descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional. Vorcaro também ganhou visibilidade por reuniões realizadas com o presidente Lula e por visitas registradas ao Palácio do Planalto em 2023 e 2024, o que trouxe o tema para o centro do debate político e econômico.

Comparativamente, em janeiro, a pesquisa foi realizada durante a repercussão das investigações relacionadas aos descontos indevidos em benefícios do INSS, envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. A mudança de foco para o caso Master alterou a natureza do escrutínio, direcionando-o para o setor financeiro e suas conexões com o governo. Essa transição pode ter influenciado a leve melhora nos números, já que o escândalo anterior era mais diretamente vinculado à família presidencial.

Implicações para o mercado financeiro

Para investidores, a persistência de uma percepção majoritária de aumento da corrupção representa um risco adicional ao já complexo cenário macroeconômico brasileiro. A incerteza regulatória e política pode elevar o prêmio de risco embutido nos ativos locais, especialmente em setores mais expostos a decisões governamentais. Embora o recuo de dois pontos seja positivo, a manutenção de quase metade da população com visão negativa sinaliza que a confiança nas instituições ainda não foi restaurada.

O caso Banco Master, em particular, reforça a necessidade de maior transparência na relação entre o setor privado e o poder público. A liquidação extrajudicial e a prisão de seu fundador geram precedentes que podem afetar a avaliação de risco de outras instituições financeiras e aumentar a demanda por governança corporativa. Acompanhamento contínuo desse cenário é essencial para ajustes de portfólio.