O programa Move Brasil inicia nesta sexta-feira (19) a liberação de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, após registrar mais de 600 mil inscritos. A iniciativa oferece condições especiais de financiamento para a compra de veículos novos, em um cenário de juros elevados e endividamento das famílias. O impacto do programa no mercado de capitais já começa a ser precificado por analistas, que veem efeitos diferenciados entre locadoras e fabricantes de autopeças listadas na B3. Para mais informações sobre investimentos, acompanhe a SpaceMoney.

Cenário de lançamento do Move Brasil e expectativas iniciais

Com mais de 600 mil cadastrados, o Move Brasil surge como uma tentativa de aquecer as vendas de automóveis leves em um ambiente de crédito restrito. As estimativas indicam que, caso haja ampla elegibilidade dos participantes e efetiva concessão de crédito pelas instituições financeiras, as vendas do segmento podem crescer até 15%. No entanto, o sucesso da medida depende da capacidade dos bancos em aprovar os financiamentos e do perfil de crédito dos candidatos.

Os bancos participantes já estão listados, e 42 modelos de veículos foram cadastrados, com valor máximo de nota fiscal de R$ 150 mil. A medida foca em motoristas de aplicativo e taxistas, que representam uma fatia importante da demanda por veículos novos no país.

Impacto estimado para locadoras de veículos: efeito marginal

O Bradesco BBI projeta que o Move Brasil terá um efeito limitado sobre as locadoras de veículos. Para a Localiza (RENT3), a expectativa é de um impacto de aproximadamente 2%, enquanto para a Movida (MOVI3) o efeito seria de apenas 1%. A razão, segundo o banco, é que o programa pode redirecionar parte da procura para a compra direta de veículos, em vez de locação, reduzindo o potencial de ganho para essas empresas.

Apesar do baixo impacto projetado, analistas apontam que a dinâmica do setor de locação pode se beneficiar indiretamente com a eventual redução da frota circulante de veículos usados, o que poderia melhorar a rentabilidade futura.

Potencial de alta para o setor de autopeças

Diferentemente das locadoras, as empresas de autopeças devem ser as maiores beneficiárias do programa. O Bradesco BBI destaca três companhias que podem registrar revisões positivas nas estimativas de resultados e nos preços das ações: Iochpe-Maxion (MYPK3), Mahle Metal Leve (LEVE3) e Fras-le (FRAS3). O crescimento das vendas de veículos leves é o principal motor dessa expectativa.

Iochpe-Maxion como principal beneficiária

A Iochpe-Maxion é apontada como a mais favorecida pelo aumento das vendas de veículos leves no Brasil, que cresceram 8% nos primeiros cinco meses de 2026 na comparação anual. Esse desempenho ajuda a compensar a demanda mais fraca por veículos pesados e a desaceleração em mercados internacionais. A empresa, que produz componentes estruturais para a indústria automotiva, tende a se beneficiar diretamente do maior volume de produção.

Segundo o banco, a combinação de maior demanda interna e recuperação gradual de outros mercados pode levar a revisões de estimativas para a Iochpe-Maxion nos próximos trimestres.

Mahle Metal Leve e Fras-le em trajetória positiva

A Mahle Metal Leve também é vista como beneficiária, dado seu foco no mercado de veículos leves. A empresa, que fabrica componentes de motor, deve se beneficiar do aumento da produção das montadoras. Já a Fras-le pode ganhar com o fortalecimento do mercado de reposição, impulsionado pela substituição de veículos usados que deixam de circular à medida que novos veículos são adquiridos pelo programa.

Ambas as companhias podem ver suas ações valorizarem caso o Move Brasil atinja as expectativas de expansão das vendas.

Reflexos sobre o mercado de seminovos e dinâmica de preços

O aquecimento das vendas de veículos novos tende a reduzir a necessidade de descontos por parte das montadoras, o que, por sua vez, beneficia os preços dos seminovos. A lógica é que, com menos pressão para baixar preços nos zero-quilômetro, a depreciação dos veículos usados é mitigada, ajudando a sustentar o valor de revenda.

Esse cenário é particularmente relevante para o setor de locação, que depende da venda de veículos seminovos para gerar receita. Assim, mesmo com um impacto marginal direto, as locadoras podem se beneficiar indiretamente da melhora na precificação de ativos usados.