A Magazine Luiza (MGLU3) registrou um prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026, um resultado quase três vezes pior do que as perdas de R$ 24,4 milhões contabilizadas no mesmo período do ano anterior. O desempenho negativo, o pior para um trimestre na história recente da companhia, reflete a combinação de receitas em queda, custos financeiros mais altos e um cenário de consumo ainda desafiador no varejo brasileiro.
O resultado ajustado, que exclui efeitos não recorrentes, também virou de sinal: o lucro de R$ 1,8 milhão do segundo trimestre de 2025 se transformou em um prejuízo de R$ 50,4 milhões. A deterioração ocorre em meio a uma retração de 2,6% na receita líquida, que somou R$ 8,9 bilhões entre abril e junho, enquanto as vendas totais, incluindo marketplace e serviços, caíram 5,1% na comparação anual, para R$ 14,5 bilhões.
Desempenho divergente entre lojas físicas e e-commerce
Enquanto as lojas físicas apresentaram um crescimento de 10,3% no período, o e-commerce total recuou 11,9%, evidenciando uma mudança no comportamento do consumidor e uma maior resiliência do canal offline. A rede encerrou junho com 1.246 lojas, sendo 1.016 convencionais e 230 virtuais, o que indica uma aposta contínua na expansão física como contraponto à fraqueza digital.
O Ebitda, que mede a geração de caixa operacional, ficou em R$ 675,3 milhões, uma queda de 1,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Já o resultado financeiro líquido negativo atingiu R$ 572,3 milhões, uma piora de 15,5%, pressionado por juros elevados e pelo custo da dívida. A posição de caixa total ao fim de junho era de R$ 5,8 bilhões, incluindo R$ 1,8 bilhão em caixa e aplicações e R$ 4,0 bilhões em recebíveis de cartão de crédito disponíveis, enquanto a dívida líquida somava R$ 3,18 bilhões.
Impactos setoriais e perspectivas para o varejo
O resultado da Magazine Luiza reforça o cenário de pressão sobre o setor varejista, que enfrenta juros altos, inflação de alimentos e menor confiança do consumidor. A migração de vendas para o canal físico, embora positiva, não foi suficiente para compensar a queda no digital, indicando uma possível saturação do e-commerce ou uma competição mais acirrada com players globais.
Para os próximos trimestres, a companhia deverá focar em eficiência operacional, controle de despesas e gestão de capital de giro, enquanto o mercado observa a evolução da alavancagem e a capacidade de geração de caixa. A comparação com a Petrobras, que viu seu lucro quase dobrar para R$ 52 bilhões no mesmo período, ilustra a disparidade entre setores e a resiliência de empresas ligadas a commodities.
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