A Lojas Renner (LREN3) sinalizou que pretende intensificar o ritmo de comercialização nos próximos meses, sustentada pela inauguração de novas unidades, pela reabertura de lojas reformuladas e por uma base comparativa menos desafiadora. A declaração foi feita pelo diretor financeiro da companhia, Daniel Martins, em entrevista à agência Reuters nesta sexta-feira (7).
O executivo também destacou que a varejista segue monitorando um cenário macroeconômico adverso, caracterizado por taxas de juros elevadas e por incertezas ligadas à inflação e à política fiscal. A empresa, contudo, demonstra confiança na retomada do crescimento das vendas no segundo semestre, mesmo diante de um ambiente de consumo ainda restrito.
Revisão de projeções e desempenho recente
A companhia reduziu sua expectativa de expansão da receita líquida de varejo para 2026, passando a estimar um avanço entre 4% e 8%, ante a faixa anterior de 9% a 13%. A revisão foi motivada pelo desempenho aquém do esperado no segundo trimestre, quando o fluxo de clientes nas lojas físicas foi impactado pela Copa do Mundo e pelas condições econômicas mais apertadas.
No primeiro semestre, a receita líquida de varejo cresceu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. Já no segundo trimestre, o avanço foi de apenas 1,1%, totalizando R$ 3,689 bilhões, enquanto as vendas em mesmas lojas (same-store sales) registraram alta de 0,5%. Martins afirmou que a expectativa é de que o crescimento no segundo semestre supere o observado no primeiro, indicando uma trajetória de aceleração gradual.
Plano de expansão e reformas em andamento
A Lojas Renner mantém seu plano de expansão para 2026, com a previsão de abrir entre 50 e 60 novas lojas ao longo do ano. No primeiro semestre, foram inauguradas 16 unidades, sendo três da marca Renner, três da Camicado e dez da Youcom. Para o restante do ano, a empresa planeja abrir de 22 a 30 lojas Renner, de 23 a 25 lojas Youcom e cerca de cinco lojas Camicado.
Além das inaugurações, a varejista está investindo na renovação de unidades estratégicas da marca Renner. Das sete lojas em processo de reforma, cinco já foram entregues, e as outras duas devem ser concluídas no terceiro trimestre, nos shoppings Eldorado, em São Paulo, e Tijuca, no Rio de Janeiro. Essas iniciativas visam modernizar o parque de lojas e melhorar a experiência de compra, o que pode contribuir para a recuperação das vendas.
Estratégia de margem e gestão de estoques
Apesar da expectativa de crescimento, a Lojas Renner afirmou que não pretende sacrificar a rentabilidade em troca de maior volume de negócios. Segundo Daniel Martins, a companhia espera manter uma margem bruta relativamente estável e saudável no segundo semestre. No segundo trimestre, a margem bruta do varejo atingiu 57,5%, acima dos 57,1% registrados no mesmo período de 2025.
Os estoques cresceram 6,5% no trimestre, mas a empresa avaliou que a qualidade dos produtos permanece adequada, uma vez que a participação de itens com mais de 16 semanas em estoque caiu 11,9% na comparação anual. Isso indica uma gestão eficiente do mix de produtos, com menor exposição a mercadorias encalhadas.
Fluxo de caixa e posição financeira
O fluxo de caixa livre da Renner apresentou queda no segundo trimestre, passando de R$ 333,1 milhões para R$ 135,1 milhões na comparação anual. Martins atribuiu o resultado a vendas abaixo do esperado, ao aumento dos estoques e a efeitos temporários e sazonais. Apesar disso, o executivo reforçou que a companhia mantém uma posição financeira sólida, com R$ 1,9 bilhão em caixa e R$ 1,2 bilhão em caixa líquido ao final do trimestre.
“A Lojas Renner é uma forte geradora de caixa no segundo semestre e continuará sendo assim”, afirmou Martins, em discurso indireto. A empresa também informou que manterá o programa de recompra de ações e os pagamentos de juros sobre capital próprio (JCP), dentro dos limites legais. No que diz respeito à concessão de crédito, a Renner seguirá cautelosa diante do cenário de juros elevados, inflação e volatilidade externa, aguardando um ambiente mais favorável para expandir suas operações financeiras.
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