As emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) somaram aproximadamente R$ 14,5 bilhões em agosto, mais que o dobro do volume registrado em julho e o segundo maior resultado mensal de 2026. No acumulado do ano, as captações já superam R$ 74 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) apresentados em reportagem do Monitor do Mercado.

O desempenho ocorre em um mês marcado pelo maior direcionamento de recursos do mercado de capitais para operações ligadas a crédito, movimento que recoloca os FIDCs no centro da captação voltada ao financiamento e à aquisição de direitos creditórios. Esse redirecionamento reforça o peso das operações de crédito no conjunto de investimentos captados via mercado de capitais no período.

Debêntures ampliam destinação para crédito

O avanço dos FIDCs veio acompanhado de uma composição específica nas emissões de debêntures. Do total de R$ 21,5 bilhões emitidos em agosto, R$ 9,2 bilhões foram destinados à aquisição de créditos e R$ 6,2 bilhões ao refinanciamento de passivos. Somadas, as duas finalidades responderam por cerca de 72% do volume de debêntures do mês.

Ao adicionar os R$ 9,2 bilhões direcionados à aquisição de créditos por meio de debêntures aos R$ 14,5 bilhões emitidos por FIDCs, o total captado em agosto por instrumentos diretamente ligados ao financiamento ou à aquisição de direitos creditórios chega a R$ 23,7 bilhões.

Para Lucas Fiuza, co-CEO da Quick Soft, os dados de agosto mostram concentração de recursos em operações ligadas a crédito e reorganização financeira, enquanto novos projetos de infraestrutura tiveram participação menor entre as destinações das debêntures. Segundo o executivo, essa composição evidencia o peso das operações relacionadas a crédito no mercado de capitais no período.

FIDCs mantêm hegemonia entre os instrumentos de securitização

Outros instrumentos de securitização também registraram recuperação em agosto. As emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) chegaram a R$ 2,4 bilhões, enquanto as de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançaram R$ 2,2 bilhões.

Ainda assim, os FIDCs responderam por aproximadamente 76% do volume combinado entre FIDC, CRI e CRA no mês. A retomada dos demais instrumentos, portanto, não reduziu a predominância dos fundos nesse conjunto de emissões.

Deságio médio recua com mais recursos para originação

O aumento das emissões ocorreu simultaneamente à queda do deságio médio nas operações de antecipação de recebíveis processadas pelos FIDCs acompanhados pela Quick Soft. Segundo dados do Qtrends, ferramenta da companhia que consolida indicadores agregados dessas operações, o deságio médio recuou de 2,88% em julho para 2,74% em agosto.

No mesmo intervalo, o volume operado por cliente avançou 2,9%, enquanto o prazo médio das operações passou de 46,5 para 49,2 dias.

Fiuza explica que o crescimento da captação amplia a quantidade de recursos disponíveis para originação e que, a partir de agora, é importante observar se a oferta de recebíveis vai acompanhar esse movimento. Se o volume disponível não crescer no mesmo ritmo, pode haver maior competição entre os financiadores pelos ativos, com reflexos sobre o deságio e a rentabilidade.

O executivo acrescenta que, caso a captação permaneça elevada, a relação entre volume operado e deságio pode ajudar a indicar se a competição pelos ativos está, de fato, aumentando.